Alex Silva/Estadão
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Hospital do Anhembi entregará últimos leitos durante pico previsto para coronavírus

Capacidade total dos hospitais de campanha em SP só deve ser implementada no fim de abril, mesmo período em que a gestão municipal estima o maior aumento da demanda

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2020 | 19h07

   

Os dois hospitais de campanha para o novo coronavírus na cidade de São Paulo, no Complexo do Anhembi e no Estádio do Pacaembu, devem passar a operar com capacidade total a partir da segunda metade de abril. É o período previsto para o pico de infecções, nas estimativas do Comitê para o Coronavírus ligado à Secretaria Municipal da Saúde na capital. 

Os hospitais têm verba para funcionar durante ao menos quatro meses, e a gestão municipal não descarta prorrogar o período de funcionamento e abrir novos leitos. No Anhembi, a Prefeitura prevê entregar os primeiros 887 leitos no início da próxima semana – uma diferença de alguns dias em relação à estimativa inicial. As últimas alas devem ficar prontas, na melhor das hipóteses, a partir do dia 16. O Pacaembu deve estar pronto para receber pacientes neste fim de semana, segundo o comitê. 

Segundo o coordenador de assistência hospitalar do comitê, Luiz Carlos Zamarco, os hospitais da cidade ainda têm capacidade para dar conta do número atual de casos. Para ele, ainda não há demanda para os dois hospitais de campanha.

“Hoje, nós não precisamos desse leito, nós não chegamos no pico da epidemia”, disse Zamarco. “Este é um leito de hospital de campanha, para uma situação de emergência que nos estamos esperando para daqui duas semanas, o início.” 

Mesmo após a entrega dos leitos, as equipes médicas devem ter alguns dias para treinamento dos fluxos de trabalho e a chegada de equipamentos menores, como respiradores, ferramentas e máscaras. No Pacaembu, esse período de preparação após a entrega foi estipulado em dois dias. O tempo deve ser maior para o Anhembi, que tem nove vezes mais leitos do que no estádio. A Prefeitura não informou quantos dias serão necessários entre a entrega da obra e a recepção de pacientes no complexo de eventos. 

“Tem de instalar os equipamentos, estabelecer o fluxo de funcionários, explicar onde o funcionário vai entrar, onde ele troca de roupa, etc. Ele (chefe de equipe médica) vai ter de apresentar a estrutura para a equipe que vai trabalhar”, diz o coordenador.

Um total de 2,1 mil profissionais de saúde devem atender o hospital no Anhembi. Segundo o coordenador, todos já foram contratados, e cerca de metade começar a trabalhar a partir da próxima segunda-feira, 6, antes da entrada de pacientes. 

A Prefeitura deve ainda trazer aos hospitais de campanha pacientes com sintomas leves, mas que ainda precisarem de atendimento médico, que estiverem nos hospitais regulares do município. De acordo com Zamarco, no entanto, isso só deve ocorrer quando a capacidade dos hospitais estiver mais perto do limite, o que não é o caso agora. 

“Nós temos espaço nos hospitais municipais para atender esse pacientes todos agora. Vocês não estão vendo paciente deixando de ser atendido em lugar nenhum”, ele diz.  “Se começar a aumentar, encher tudo isso daqui, nós temos forma de expandir isso. Já está no nosso radar.”

2ª fase

Quando operar com capacidade total, o Complexo do Anhembi terá um 72 leitos de UTI. Até a próxima semana, o comitê municipal promete já ter 64 em operação. Os casos mais graves de infectados por coronavírus, porém, devem ter passagem breve nos hospitais de campanha. As unidades de tratamento intensivo devem servir apenas para estabilizar pacientes antes que eles sejam encaminhados para hospitais. 

A intenção é que os dois locais aliviem a demanda dos hospitais, atendendo pacientes com sintomas menos graves. Tanto no Anhembi quanto no Pacaembu, são oito UTIs para cada 200 leitos de baixa e média complexidade. 

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