Hospital do Fundão, no RJ, será interditado para implosão parcial

Construção de 13 andares colocava em risco a ala ocupada; processo levará um mês

GABRIELA MOREIRA, Agência Estado

16 Novembro 2010 | 18h04

Durante um mês, o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Governador, ficará interditado ao público, para que metade do prédio seja implodido. Referência em cirurgias de alta complexidade, como transplantes e operações cardíacas, a ala que será destruída começou a ser construída em 1950 e nunca foi concluída. A interdição representa menos 400 leitos no Estado.

Ao todo, 110 mil metros quadrados de construção ruirão ao custo de R$ 12,8 milhões, financiados pelo Ministério da Educação. A implosão está marcada para o dia 19 do próximo mês, mas na última sexta-feira os 121 pacientes que ainda estavam internados foram transferidos para outros hospitais da rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a secretaria estadual de Saúde, a rede está preparada para atender a demanda do Hospital do Fundão, como é conhecido.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio, Jorge Darze, afirma que o sistema hospitalar fluminense será afetado pela interdição. "O sistema não comporta o fechamento de uma unidade nem por um dia sequer. Da forma como o Rio está, qualquer hospital que fecha causa sérios transtornos", afirmou.

Projetado para ser o maior hospital das clínicas do Rio, com 220 mil metros quadrados, o hospital da UFRJ funcionava, na prática, com apenas metade desta área. A outra parte, que será implodida, chegou a ser inaugurada durante a ditadura, mas nunca foi concluída. Conhecida no câmpus como "esqueleto" ou "perna seca", a construção de 13 andares colocava em risco a ala que é ocupada. Em junho deste ano, dois pilares ruíram, contribuindo para a decisão de derrubar a estrutura.

Nos custos da implosão também estão orçados os reparos necessários à parte do hospital que funciona. No período de um mês que durará a interdição, serão feitas, segundo o hospital, pequenas reformas, consertos e outras melhorias na unidade. Os equipamentos e aparelhos médicos não serão retirados do prédio. Outro importante hospital da rede pública está interditado no Rio. Atingido por um incêndio em outubro, o Pedro II, na zona oeste, foi fechado e será municipalizado. A unidade fazia, segundo o Sindicato dos Médicos, cerca de 600 mil procedimentos por mês.

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