Hospital dos EUA e de Recife fazem parceria contra leucemia

Em Memphis, nos Estados Unidos, funciona o St. Jude Children?s Research Hospital. No Recife, aqui no Brasil, está o Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (Imip). Nos dois lugares há crianças com leucemia linfoblástica aguda, doença comum na infância que pode ter cura desde que uma série de procedimentos médicos seja aplicada com rigor. Apesar do grupo de pacientes norte-americano não conhecer o brasileiro, a iniciativa de transferir procedimentos médicos do hemisfério Norte para o Sul produziu resultados expressivos, segundo apresentação feita na 42ª Reunião Anual da Sociedade Norte-Americana de Clínica Oncológica, encerrada na segunda-feira, em Atlanta. A receita para o sucesso, segundo o médico brasileiro Raul Ribeiro, diretor do Programa de Extensão Internacional do hospital norte-americano e um dos idealizadores da parceria, passa necessariamente por três itens. ?Uma equipe médica dedicada exclusivamente ao tratamento das doenças hemato-oncológicas. Uma equipe da comunidade, no caso do Recife, o Núcleo de Apoio à Criança com Câncer (NACC), dedicada à educação e suporte das famílias, ao levantamento de fundos e ao estabelecimento de alianças com o poder público. Por fim, uma educação continuada e intensiva aos membros da equipe pediátrica?, explicou Ribeiro. Os resultados no Recife, a partir do trabalho coordenado conjuntamente desde 1996 com o médico Francisco Pedrosa, do Imip, mostram um caminho promissor. Em dez anos, a taxa de abandono do tratamento caiu de 16% para 0,6%. A taxa de cura da leucemia entre um grupo de crianças que freqüentou o Imip subiu dos 32% para os 63%, aproximando-se do nível verificado nos Estados Unidos, de 80% em média. ?A população alvo original era Pernambuco, mas hoje o projeto também atinge outros Estados vizinhos?, explica Ribeiro, paranaense de Arapongas há 16 anos radicado nos Estados Unidos. A iniciativa também envolveu o treinamento de enfermeiras especializadas para tratar de crianças com câncer e a assistência psicológica e social às famílias dos pacientes. O projeto verificou que mesmo procedimentos a princípio mais básicos, como oferecer transporte entre o hospital e a casa para os pacientes, ou alimentação aos familiares nos momentos em que as crianças eram atendidas, foram importantes para o aumento na eficiência do tratamento e, por conseqüência, da taxa de cura. Essa parte logística foi feita pelo NACC, organização social sem fins lucrativos. As informações são da Agência Fapesp.

Agencia Estado,

08 de junho de 2006 | 12h38

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