MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO
MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

Hospital São Paulo terá ajuda de R$ 7 milhões

MEC e Secretaria de Estado da Saúde prometeram repasses; suspensão de internações eletivas será reavaliada nesta sexta

Paula Felix e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

18 Junho 2015 | 16h53

Atualizada às 21h20

SÃO PAULO - O Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria de Estado da Saúde prometeram repassar, somados, R$ 7 milhões para o Hospital São Paulo, que enfrenta grave crise financeira e reduziu o atendimento. O Estado revelou nesta quinta-feira, 18, que o centro médico, administrado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), suspendeu as internações eletivas - aquelas que não são consideradas de emergência.

A suspensão será reavaliada nesta sexta em reunião do Conselho Gestor do hospital, na Vila Clementino, zona sul. José Roberto Ferraro, superintendente do Hospital São Paulo, disse ao Estado que a verba extra reabre a chance de retomar internações eletivas - que correspondem a cerca de 50% das 2,2 mil internações mensais do hospital. 

Segundo o secretário estadual da Saúde, David Uip, a liberação de R$ 3 milhões dos cofres paulistas está condicionada à volta imediata das internações eletivas. “O Hospital São Paulo compõe o quadrilátero dos hospitais mais importantes de São Paulo”, disse. Ainda não há data para o repasse. O centro médico cobre área com 5 milhões de habitantes.

Já o MEC, segundo a Unifesp, prevê direcionar R$ 4 milhões pelo Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf). Essa verba é usada na compra de insumos e materiais. 

Pelo Rehuf, o hospital recebeu neste ano R$ 595 mil, em aportes emergenciais. O repasse ordinário - que costuma ocorrer até maio - ainda não havia sido feito. O MEC nega atraso, alegando que não há data fixa para envio da verba. Em 2014, o hospital recebeu R$ 28,9 milhões pelo Rehuf. 

“A greve do servidor público federal também piorou a situação”, disse Ferraro. A paralisação, iniciada em maio, afetou principalmente a enfermagem.

Financiamento. O déficit mensal do hospital é de cerca de R$ 2,5 milhões, desde 2012. São necessários empréstimos para bancar parte dos salários de terceirizados, por exemplo. “Nossa dívida bancária está em torno de R$ 90 milhões”, disse Ferraro. De acordo com ele, também há sobrecarga da urgência e emergência por causa da “desorganização” dos outros equipamentos públicos de saúde.

Sobre a crise da unidade, David Uip criticou o Ministério da Saúde. “O único hospital federal (de São Paulo) deveria andar muito bem com o financiamento”, disse. Por ano, o Estado repassa R$ 56 milhões ao hospital. Em 2014, ainda houve verba emergencial de R$ 5 milhões, para manter o pronto-socorro.

O Ministério da Saúde informou que envia R$ 158 milhões anuais ao hospital e que os repasses estão em dia. Também afirmou que uma portaria, de março, vai garantir repasse extra de R$ 12 milhões em 2015.

A pasta ainda rebateu as críticas de Uip e disse que o hospital atende pelo SUS por “contrato firmado pelo gestor estadual, que complementa o financiamento”. Segundo o ministério, o “compartilhamento de responsabilidades” entre as gestões é previsto na legislação do SUS.


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