Ruam Oliveira / Hospital Premier
Ruam Oliveira / Hospital Premier

Hospital de SP se ‘autoisola’ para evitar contaminação por coronavírus

Equipe de 84 funcionários está morando dentro de instituição de saúde de cuidados paliativos; visitas estão suspensas e ordem é de 'ninguém entra'

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2020 | 06h00

SÃO PAULO - Especializado em cuidados paliativos para pessoas idosas e com doenças crônicas, o Hospital Premier está “autoisolado” desde quarta-feira, 25. A equipe de cerca de 200 funcionários está dividida entre o home office e os que aceitaram a proposta de se mudar temporariamente para o espaço, no Itaim Bibi, na zona sul da cidade de São Paulo.

"Os nossos pacientes estão no topo de risco dessa pandemia, são doentes crônicos, portadores de muitas comorbidades e com sequelas", explica o superintendente do hospital, Samir Salman, de 59 anos, que também se mudou para o local, que não tem casos suspeitos ou confirmados do covid-19.

"Estamos protegendo as pessoas que estão aqui, os pacientes e a sociedade, na medida que não estamos circulando e trabalhamos em área de risco", ressalta. “Para a nossa surpresa, 84 (funcionários) aderiram (à internação), a portaria, as meninas da limpeza, as meninas da copa, auxiliares de enfermagem, técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, terapeuta ocupacional, psicóloga, assistente social."

O hospital comprou 90 camas, além de conjuntos de roupas de cama e banho e três uniformes por funcionário. Todos foram alojados em espaços do setor administrativo e utilizam vestiários para higiene pessoal. Uma rotina de exercícios e outras atividades está sendo planejada, como na sexta-feira, 27, em que o ato religioso do papa Francisco foi transmitido no auditório. 

As visitas estão vetadas. Por isso, dois familiares e alguns cuidadores também integram o confinamento. Segundo Salman, a iniciativa teve "100% de adesão" entre os clientes. "Até nos cumprimentaram. Diante desse drama humanitário, dessa calamidade, não temos muita opção", afirma. "Ninguém entra, mas quem quiser pode sair a qualquer hora, sem julgamento moral", garante. "É uma decisão de foro íntimo."

A experiência está sendo documentada pelos funcionários. "Estão registrando, cientificamente, todos os dados, pode ser uma experiência antropológica para enfrentamento de pandemia." 

O superintendente lamenta, contudo, que a situação afetou as contas do hospital, que atende clientes de classe média. Ele não tem certeza se conseguirá pagar o salário integral dos funcionários em home office, embora destaque que seja o objetivo. 

"Teve uma grande majoração dos preços dos materiais de segurança dos nossos profissionais. Uma caixa de máscaras que custava R$ 3,50 com 50 unidades passou a custar R$ 200 no mesmo fornecedor", observa ele. "As finanças do hospital estão destroçadas."

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