Human Rights Watch diz que negligência multiplica abortos ilegais na Argentina

Cerca de 40% das gestações são interrompidas no país, segundo relatório da ONG americana

Efe

10 de agosto de 2010 | 15h54

BUENOS AIRES - Milhares de argentinas se expõem a "sofrimentos" evitáveis que podem levá-las à morte por "condutas negligentes ou abusivas" nos serviços de saúde do país, no qual 40% das gestações são interrompidas por meio de abortos, segundo um relatório da Human Rights Watch (HRW).

Os números da Argentina dobraram na média latino-americana, que está em torno de 20%, e confirmam que no país o aborto se transformou "em um método contraceptivo", disse à Agência Efe Marianne Mollmann, diretora de advocacia da divisão Direitos das Mulheres da HRW.

Marianne denunciou que, na Argentina, apesar do bom acesso a anticoncepcionais e educação sexual, a lei não é aplicada nem há qualquer controle ou supervisão.

O resultado são situações como a registrada em 2008, quando "não houve distribuição de anticoncepcionais por parte do governo, porque ficaram parados em contêineres nos portos por razões burocráticas".

A investigação da HRW divulgada nesta terça-feira, 10, em Buenos Aires pede ao governo argentino que garanta às mulheres o acesso aos serviços de saúde, prejudicados por "deficiência, falta de supervisão e preconceito" médicos.

Muitos dos 460 mil abortos registrados por ano no país, segundo os dados oficiais, são praticados "de forma insegura", o que constitui uma das principais causas de mortalidade materna há décadas, de acordo com estudo feito no país.

Uma recente pesquisa da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de Buenos Aires (Sogiba) sustenta que duas de cada três mortes de mulheres por causas relacionadas à maternidade, como o aborto, não são registradas corretamente nos hospitais da capital argentina.

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