Humanos deixaram a África 65 mil anos antes, diz estudo

Os humanos modernos trocaram a África pela Arábia até 65 mil anos antes do que se imaginava, e seu êxodo foi possível graças a fatores ambientais, e não pela tecnologia, disseram cientistas na quinta-feira.

MICHELLE MARTIN, REUTERS

27 Janeiro 2011 | 20h56

Suas conclusões sugerem que os migrantes seguiram uma rota direta da África até a Península Arábica, e não pelo vale do Nilo e o Oriente Próximo, conforme sugeriam estudos anteriores.

Uma equipe internacional de pesquisadores estudou um antigo "kit de ferramentas" com machados, perfuradores e raspadores, desenterrado no sítio arqueológico de Jebel Faya, nos Emirados Árabes Unidos.

"Nossas descobertas deveriam estimular uma reavaliação dos meios pelos quais nós, humanos modernos, nos tornamos uma espécie global", disse Simon Armitage, da Universidade de Londres, que participou do estudo.

Usando a datação por luminescência -- técnica usada para determinar quando grãos minerais foram expostos ao sol pela última vez -- eles descobriram que as ferramentas de pedra tinham de 100 a 125 milênios de idade.

Hans-Peter Uerpmann, da Universidade Eberhard Karls, em Tuebingen (Alemanha), que coordenou a pesquisa, disse que essas ferramentas se pareciam com objetos produzidos por proto-humanos no leste da África, o que sugere que "não foram necessários feitos culturais específicos para que as pessoas deixassem a África."

A pesquisa, publicada na revista Science, sugere que fatores ambientais, como o nível dos mares, foram mais importantes para a migração do que as inovações tecnológicas.

Os pesquisadores analisaram registros do nível do mar e das mudanças climáticas, preservados na paisagem desde o último período interglacial -- cerca de 130 mil anos atrás --, para determinar quando os humanos poderiam ter cruzado para a Ásia.

Eles concluíram que o estreito de Bab al-Mandab, entre a Arábia e o Chifre da África, teria se tornado mais reduzido naquela época, quando o nível do mar estava mais baixo, e que isso serviu como rota segura antes e no começo do último período interglacial.

Uerpmann disse que o estreito poderia ter sido transitável com maré baixa, e que provavelmente os humanos modernos o cruzaram a pé, ou então em botes e jangadas.

Considerava-se anteriormente que os desertos árabes teriam impedido um êxodo a partir da África, mas o novo estudo sugere que a Arábia se tornou mais úmida durante o último período interglacial, com mais lagos, rios e vegetação, facilitando a sobrevivência humana por lá.

Há um grande debate a respeito do momento em que os humanos modernos deixaram a África, mas pesquisas anteriores sugeriam que o êxodo ocorreu pelo Mediterrâneo ou pela costa árabe em torno de 60 mil anos atrás.

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