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Humanos são responsáveis pela maioria das bactérias em ambientes fechados

Estudo mostra que apenas uma pessoa pode expelir até 37 milhões de micróbios no ar

estadão.com.br

29 de março de 2012 | 09h40

Um novo estudo divulgado por engenheiros da Universidade de Yale indica que a simples presença de uma pessoa em uma sala pode levar 37 milhões de bactérias ao do local a cada hora - o que se acumula com os microrganismos já deixados por outros ocupantes anteriormente, de acordo com a pesquisa, publicada no site Indoor Air.

 

"Vivemos em uma sopa de micróbios, e um grande ingrediente são nossos próprios microrganismos", diz Jordan Peccia, professor de engenharia ambiental em Yale e principal figura por trás do estudo. "A maioria das pessoas reprojeta no ar o que foi depositado no ambiente antes. A poeira que se acumula no chão é a maior fonte de bactérias que respiramos", continua.

 

Estudos anteriores catalogaram a variedade de germes presentes no locais frequentados no dia-a-dia. Mas este é o primeiro que quantifica o efeito que a presença de um ser humano tem sobre o ar de algum local fechado.

 

Peccia e sua equipe mediram e analisaram partículas biológicas em uma sala da universidade por um período de oito dias - quatro com o ambiente periodicamente ocupado, quatro com ele vazio. Portas e janelas foram sempre mantidas fechadas e os sistemas de ar condicionado e ventilação estavam operando a níveis normais.

 

Após separar as partículas por tamanho, os pesquisadores descobriram que "a presença humana foi associada com o aumento substancial da concentração" de bactérias e fungos no ar. Partículas médias ou grandes registraram um aumento ainda maior, o que é um dado importante, já que o tamanho afeta a possibilidade da partícula ser filtrada pelo aparelho respiratório. "O tamanho é a principal variável", diz Peccia.

 

De acordo com os pesquisadores, 18% de todas as emissões na sala - incluindo as recém expelidas e as depositadas anteriormente - foram provenientes dos humanos, em comparação às vindas de plantas e outras fontes. Dos 15 tipos mais abundantes detectados, quatro são diretamente ligadas ao homem, inclusive a mais comum, Propionibacterineae, encontrada na pele.

 

Os números, porém, não representam riscos à saúde, de acordo com Peccia, já que menos de 0,1% das bactérias presentes em ambientes fechados são infecciosas. Mas compreender o que o ar de ambientes fechados carrega é importante para o desenvolvimento de novas técnicas para melhorar a qualidade do ar, completa. 

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