Lucas Lacaz Ruiz/ Estadão
Lucas Lacaz Ruiz/ Estadão

IBGE adianta divulgação de dados para ajudar no enfrentamento do coronavírus

Informações estariam na pesquisa Regiões de Influência das Cidades (Regic) 2018

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2020 | 18h21

Para ajudar na elaboração de políticas públicas de enfrentamento a epidemia do novo coronavírus, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) adiantou para esta terça-feira, 07, a divulgação de informações sobre saúde que só seriam divulgadas no segundo semestre. Originalmente, as informações estariam na pesquisa Regiões de Influência das Cidades (Regic) 2018.

A Regic é realizada a cada dez anos e apresenta a hierarquia dos centros urbanos brasileiros, delimitando suas regiões de influência. A pesquisa saiu a campo no segundo semestre de 2018 e investigou, entre outros aspectos, quantos quilômetros a população deve percorrer em média para ter acesso a serviços de saúde de baixa, média e alta complexidade.

Os resultados adiantados mostram que a população precisa percorrer em média, 72 km para receber atendimento médico de baixa e média complexidade; caso de exames clínicos, serviços ortopédicos e neurológicos, fisioterapia e pequenas cirurgias que não envolvam internações. No caso do atendimento de alta complexidade, essa distância praticamente dobra, chegando a 155 km.

"Se uma cidade tem um hospital regional, isso significa que ele não atende somente pacientes do município onde está localizado, mas também das cidades vizinhas", explica o coordenador de Geografia do IBGE, Claudio Stenner. "Os dados dessa pesquisa ajudam a dimensionar o impacto disso na saúde."

Para o gerente de Redes e Fluxos Geográficos do IBGE, Bruno Idalgo, os dados, quando cruzados com outros de saúde, fornecerão informações importantes para o enfrentamento da epidemia. "É possível identificar, por exemplo, municípios onde pode ocorrer superlotação das unidades de saúde", disse. "Os órgãos poderão correlacionar também a quantidade de respiradores e verificar os locais menos assistidos. São inúmeras as possibilidades de uso de dados."

Os números variam muito dependendo da região do país. Manaus, a capital do Amazonas, e a cidade que recebe pacientes que tiveram de percorrer as maiores distâncias. São, em média, 418 km para ter acesso a procedimentos de baixa e média complexidade. Santa Catarina, por sua vez, é o único estado onde ocorrem deslocamentos médios inferiores a 40 km, os menores do país, com destaque para o município de Chapecó. Já Goiânia (GO) é o município que atende pacientes provenientes do maior número de cidades, 115 no total.

Nas regiões sul e sudeste a média dos deslocamentos para procedimentos de alta complexidade fica em 100 km. Nessas regiões, os fluxos se dividem entre as capitais e cidades de menor porte no interior. No Nordeste, por sua vez, os tratamentos de alta complexidade estão concentrados nas capitais.

Na semana passada, o IBGE já havia anunciado uma parceria com o Ministério da Saúde para implementar uma versão inédita da PNAD contínua, que ira monitorar a incidência da Covid-19 nacionalmente.

"Além da pesquisa sobre o deslocamento, planejamos liberar também dados sobre os locais de compra da população para contribuir com as ações de abastecimento durante este período de contenção da disseminação do novo coronavírus", adiantou o diretor de Geociências do IBGE, João Bosco de Azevedo.

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