Lucas Lacaz Ruiz/ Estadão
Lucas Lacaz Ruiz/ Estadão

IBGE começa coleta por telefone da PNAD Covid em mais de 190 mil domicílios

A coleta pretende revelar, entre outros, a quantidade de pessoas que tiveram os sintomas de covid-19 e o percentual de pessoas que procurou atendimento médico

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2020 | 15h38

RIO - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) começou nesta segunda-feira, 4, a coleta por telefone da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid (Pnad Covid), que tem como objetivo colher dados sobre a saúde e do mercado de trabalho durante a pandemia do novo coronavírus.

A nova pesquisa é uma versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), planejada em parceria com o Ministério da Saúde. A coleta mobiliza cerca de dois mil agentes do IBGE, que já começaram a ligar para 193,6 mil domicílios distribuídos em 3.364 municípios de todos os estados do País.

A definição a nova amostra teve como base os 211 mil domicílios que integraram a Pnad Contínua no primeiro trimestre de 2019. O critério de seleção teve como princípio aqueles domicílios que já tinham número de telefone cadastrado no IBGE.

O instituto prevê divulgar os primeiros resultados da pesquisa ainda em maio. Os dados para Brasil e grandes regiões serão disponibilizados semanalmente, sempre às sextas-feiras, enquanto as informações por estado terão divulgações mensais. O período de referência será a semana anterior à semana de divulgação.

“A gente quer fazer a divulgação bem rápida mesmo”, disse a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Maria Lucia Vieira.

Segundo Cimar Azeredo, diretor adjunto do IBGE, a Pnad Covid permanecerá em coleta enquanto durar a pandemia. As entrevistas por telefone têm duração de pelo menos 10 minutos.

A coleta pretende revelar a quantidade de pessoas que tiveram os sintomas de covid-19 - como febre, tosse, dificuldade de respirar, falta de paladar e olfato, fadiga, náusea e coriza. Também serão levantados o porcentual de pessoas que procurou atendimento médico, quais tipos de estabelecimentos de saúde buscaram, como foram tratados os sintomas, de que forma se desenrolou os casos que precisaram de internação. Segundo o IBGE, será perguntado aos moradores se os pacientes foram sedados, entubados ou necessitaram de respiração artificial com ventilador mecânico.

O órgão também pretende determinar se os moradores receberam visita de profissional de saúde em casa e se tomaram algum medicamento, com ou sem orientação médica.

A Pnad Covid também medirá as mudanças no mercado de trabalho durante a pandemia, como a prática de home office, motivos que impediram uma eventual busca por emprego e os rendimentos obtidos pelas famílias.

“É de se esperar que em época de pandemia as pessoas sequer vão procurar trabalho. Então a taxa de desemprego não vai significar muita coisa. Pode cair, a gente tem que saber porque caiu”, explicou Maria Lucia Vieira.

O questionário sobre os sintomas de Covid partiu de sugestões do Ministério da Saúde. Maria Lucia lembra que parte das pessoas que apresentam sintomas da doença não procura atendimento de saúde, porque a recomendação era buscar uma emergência somente em caso de gravidade.

“A pesquisa quer saber realmente a prevalência de pessoas com sintomas, a gente não está preocupado em dar diagnóstico”, disse a coordenadora do IBGE.

Cada entrevistador possa completar entrevistas com 25 domicílios por semana.

“Quem vai responder a pesquisa é a pessoa que atende o telefone, qualquer pessoa que tenha acima de 14 anos e tenha condições de responder”, contou Azeredo. “Mas isso é raro, normalmente é o responsável que responde”, completou.

Para evitar fraudes e aumentar a confiança dos entrevistados, o IBGE explica que os moradores que receberem o telefonema do órgão podem confirmar a identidade dos agentes de coleta por meio do site https://respondendo.ibge.gov.br/ ou pelo telefone 0800 721 8181, informando matrícula, RG ou CPF do entrevistador.

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