Idade da mãe não interfere na fertilização in vitro

Mulheres com 36 a 39 anos têm a mesma probabilidade de uma mulher mais jovem de ter um filho por meio de fertilização in vitro a partir de um único embrião. O fator crucial é a qualidade do embrião. A conclusão do estudo realizado na Finlândia e publicado na Human Reproduction foi aclamada pelos especialistas em fertilidade, ávidos por reduzir a chance de nascimentos múltiplos em gravidez por fertilização in vitro - de 23,7%. Os pesquisadores analisaram 1.224 ciclos de tratamento usando embriões frescos e 828 usando embriões congelados em mulheres entre 36 e 39 anos. Compararam os resultados de ciclos em que foram usados apenas um embrião de alta qualidade, com aqueles em que foram utilizados embriões de qualidade inferior, e os resultados de ciclos em que foram usados dois embriões. Esses resultados também foram comparados com conclusões de pesquisa anterior com mulheres com idade inferior a 36 anos. Os cientistas, chefiados por Hannu Martikainen, da Universidade de Oulu, concluíram que um terço das mulheres (33%) com mais idade engravidaram após a transferência de um embrião, em comparação com 29,9% das que tiveram implantados dois embriões. O índice de sucesso foi similar ao das mulheres mais jovens - 31% a 35% -, enquanto que os nascimentos com vida ficaram em 26%, em comparação com 27% a 30% observados no grupo de mulheres mais jovens. Eles também analisaram a possibilidade de uma gravidez com mais de um ciclo - uma gravidez cumulativa - e concluíram que 54% das mulheres tiveram sucesso com a técnica de um único embrião, em comparação com 35% das que receberam dois. "Isso indica que a qualidade do embrião é o parâmetro mais importante. O que importa é qualidade e não quantidade", diz Martikainen. Pague 1 e Leve 2 - Os nascimentos múltiplos continuam a ser o problema mais crucial no tratamento da fertilidade. Eles trazem desdobramentos sensíveis - risco três a cinco vezes maior de parto prematuro ou de bebês com paralisia cerebral - e elevam os custos para os serviços de saúde. Dados da Universidade de Sheffield indicam que, no Reino Unido, o custo, no caso de trigêmeos nascidos pelo sistema de fertilização in vitro, é de 32.350 libras esterlinas (R$ 135.870) por gravidez. Esse valor é dez vezes superior aos custos no caso de um único bebê. Peter Braude, que preside o comitê consultivo científico do Royal College of Obstetricians and Gynaecologists avalia que, a menos que o serviço público de saúde financie dois ciclos por casal, eles continuarão relutantes em ter apenas um embrião implantado. Cada ciclo pode custar até 6.000 libras (cerca de R$ 25 mil), o que explica por que a maioria reluta em ter apenas um embrião transferido. Para Allan Pacey, professor da Universidade de Sheffield e secretário honorário da British Fertility Society, "o sucesso da transferência de um embrião em países como a Finlândia só foi possível porque a transferência in vitro é financiada pelo Estado". Claire Brown, diretora da Infertility Network UK, declarou que "os pacientes desejam obter o máximo do que podem pagar ou do que o serviço nacional de saúde pode oferecer".

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