Idosos podem ser tão rápidos quanto jovens em tarefas mentais

A demora em executar tarefas parece estar mais relacionada à busca de precisão, e não ao declínio cognitivo

Das agências de notícias,

02 de janeiro de 2012 | 11h13

 Crianças e idosos têm respostas mais lentas quando precisam tomar decisões rápidas em alguns aspectos. Mas pesquisas recentes sugerem que grande parte dessa demora é uma escolha consciente que enfatiza a precisão em vez da velocidade.

De fato, adultos mais velhos saudáveis podem ser treinados para responder de modo mais rápido a algumas tarefas que envolvem tomada de decisão sem afetar a precisão - o que significa que suas habilidades cognitivas nessa área não são diferentes daquelas dos adultos jovens.

"Muitas pessoas pensam que é natural que nos mais velhos o cérebro seja mais lento à medida que envelhecem, mas estamos descobrindo que isso nem sempre é verdade", diz Roger Ratcliff, da Ohio State University, coautor do estudo.

"Pelo menos em algumas situações, pessoas de 70 anos têm resposta similar àquela de adultos de 25", continua.

Ratcliff e seus colegas têm estudado processos cognitivos e envelhecimento há décadas. No novo estudo, publicado no jornal Child Development, eles estenderam o trabalho a crianças.

Os autores dizem que os resultados em crianças são o que a maioria dos cientistas teria esperado: crianças muito pequenas têm respostas mais lentas  e menos precisão comparadas aos adultos, e isso melhora à medida que a criança cresce.

Mas a descoberta mais interessante é que adultos mais velhos não têm necessariamente processos mentais mais lentos do que pessoas jovens.

"Pessoas mais velhas não querem cometer erros, e isso causa uma demora. Descobrimos que é difícil mudar esse hábito, mas é possível com a prática", dizem os autores.

Os autores chegaram aos resultados usando modelos desenvolvidos que consideram tempo de reação e precisão em tarefas de velocidade. Segundo eles, a maioria dos modelos considera apenas um desses aspectos.

Em uma experiência, os participantes estavam sentados na frente da tela do computador. Asteriscos apareciam na tela e os voluntários tinham que decidir tão rápido quanto possível se era um "pequeno número" (31-50) ou um "grande número" (51-70) deles.

Os resultados mostram que houve um aumento na precisão e queda no tempo de resposta nas tarefas em alunos do primário até os adultos. As crianças pequenas levaram mais tempo que as mais velhas e os adultos. Elas, assim como os idosos, demoraram mais para raciocinar. Mas os menores foram também menos precisos.

"Crianças pequenas não são capazes de fazer bom uso da informação apresentada, por isso são menos precisas", dizem os autores. "Isso melhora com o amadurecimento", continuam.

Adultos mais velhos mostram um padrão diferente. Em outro estudo, os mesmos autores constataram que houve pequena diferença em relação à precisão entre grupos de idosos.

No entanto, estudantes de ensino médio têm respostas mais rápidas do que os idosos. Mas a demora na resposta não foi por causa do declínio nas habilidades cognitivas entre os mais velhos, Em um estudo anterior, os pesquisadores encorajaram os idosos a responder mais rapidamente aos mesmos testes. A diferença entre os tempos de resposta e os tempos dos estudantes diminuiu significativamente.

"Para essas tarefas simples, a velocidade da tomada de decisão e precisão pode permanecer intacta mesmo até os 85 ou 90 anos", dizem os autores.

Isso não significa que não há efeitos do envelhecimento na velocidade da tomada de decisão e precisão. Em outro estudo, autores mostraram que a precisão para a "memória associativa" decai à medida que a pessoa envelhece.

"a visão antiga era que todos os processos cognitivos decaiam com o envelhecimento. Estamos descobrindo que não há um declínio uniforme. Há coisas que pessoas mais velhas fazem quase tão bem quanto os jovens", concluem.

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