WILTON JUNIOR / ESTADAO
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Imperial College vê transmissão do coronavírus no Brasil fora de controle e estima mortes

Centro de epidemiologia da universidade calcula que 6.980 óbitos ocorram no País nesta semana, variando de 5.850 a 8.070

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2020 | 16h43
Atualizado 22 de maio de 2020 | 20h54

O Imperial College, instituição britânica com foco em ciência, engenharia e medicina, divulgou estimativas preocupantes em relação ao coronavírus no Brasil. A taxa de contágio (Rt), que indica para quantas pessoas em média cada infectado transmite a covid-19, foi calculada em 1,3. Qualquer número acima de 1 indica que a transmissão está fora de controle.

Além disso, o centro de epidemiologia da universidade, referência no acompanhamento de doenças transmissíveis, calcula que 6.980 mortes ocorram nesta semana, variando de 5.850 a 8.070. O número estimado é o maior entre os 54 países com transmissão de coronavírus ativa (ao menos cem mortes registradas desde o começo da pandemia e pelo menos dez mortes nas últimas duas semanas).

Em pesquisa apoiada pela Fapesp, a equipe do Imperial College ainda analisou os cinco Estados do Brasil com o maior número de mortes. A estimativa é de que os níveis de infecção populacional variam de 3,3% em São Paulo a 10,6% no Amazonas.

Swapnil Mishra, da Escola de Saúde Pública, disse que a análise “mostra claramente que medidas governamentais brasileiras afetaram a redução da transmissão. “No entanto, ao mesmo tempo, vemos que a epidemia ainda não está sob controle no Brasil e está se espalhando. Esperamos que, com mais medidas em vigor, o Brasil possa conter a disseminação da pandemia.”

Um estudo anterior do Imperial College sobre o País, publicado no dia 8, estimou à época que o chamado número de reprodução já estava acima de 1 em 16 Estados analisados, o que significava que cada pessoa infectada estava transmitindo a doença para mais de uma, o que fazia com que o número de casos novos fosse sempre maior.

Os autores alertaram que era preciso tomar medidas mais dramáticas. À época, o lockdown (bloqueio total) começou a ser recomendado por vários pesquisadores, enquanto o governo federal desejava afrouxar maus as medidas de isolamento social.

“O número de casos está dobrando, em média, a cada 12 dias. Em dois meses, nesse ritmo, vai crescer 30 vezes”, disse nesta semana ao Estado o matemático Renato Pedrosa, professor do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que trabalha com modelagens da expansão da doença. 

O pesquisador também destacou a possibilidade de superar os Estados Unidos em casos diários. “Não temos política coesa do governo federal com Estados e municípios, cada um faz uma coisa diferente. A situação pode sair do controle completamente.”

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