Implante na retina ajuda pacientes cegos a distinguir formas

Placa fica sob a retina e cumpre a função das células destruídas por doença

REUTERS, REUTERS

03 Novembro 2010 | 16h01

Cientistas desenvolveram um implante ocular que permitiu que três pacientes cegos enxergassem formas e objetos dias depois do tratamento em um teste, e disseram que o aparelho poderá se tornar uma rotina para certos tipos de cegueira dentro de cinco anos.

 

Especialistas descreveram o resultado do estudo como fenomenal e disseram que o dispositivo, criado por cientistas alemães, pode vir a mudar a vida de 200.000 pessoas de todo o mundo que sofrem de cegueira causada por uma doença chamada retinite pigmentosa.

 

O dispositivo, conhecido como implante subretinal, fica por baixo da retina e funciona substituindo os receptores de luz destruídos pela doença.

 

Após a detecção da luz, Els se vale das funções naturais do olho para produzir uma imagem visual estável.

 

Eberhart Zrenner, diretor do Hospital Oftalmológico da Universidade de Tübingen, na Alemanha, e diretor da empresa Retinal Implant AG, que está desenvolvendo a tecnologia, disse que o resultado representa uma "prova de conceito" e agora será testado em de 25 a 50 pacientes da Europa.

 

"Mostramos que as pessoas podem receber visão útil suficiente para o dia-a-dia", disse ele.

 

De acordo com o estudo publicado no periódico  Proceedings of the Royal Society B, um paciente cego que recebeu o implante foi capaz de identificar e encontrar objetos colocados uma mesa, e de caminhar por uma sala sem ajuda.

 

Ele também conseguiu ver as horas num relógio e distinguir sete tons de cinza, disseram os pesquisadores. os testes tiveram início de sete a nove dias após os implantes.

 

O dispositivo implantado, que fica no interior do olho, é uma minúscula placa, com 3 milímetros quadrados e 0,1 milímetro de espessura, que contém cerca de 1.500 sensores de luz conectados a amplificadores e eletrodos.

 

Outro tipo de implante retinal, conhecido como implante epirretinal,  ficam fora da retina e, como contornam as estruturas saudáveis do olho, exigem que o paciente use uma câmera externa e um processador.

Robert Maclaren, professor de Oftalmologia na Universidade Oxford, que não tomou parte no estudo, declarou-se "muito animado" com os resultados da equipe alemã.

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