Importação de médicos cubanos é decisão 'humanitária', diz Patriota

'Não há motivação ideológica', afirma o ministro das Relações Exteriores; convênio prevê contratar 4 mil profissionais de Cuba

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

22 de agosto de 2013 | 12h17

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse nesta quinta-feira, 22, que a importação de médicos cubanos, anunciada na quarta pelo governo, tem uma característica "humanitária", e não um viés "ideológico". "Essa decisão foi tomada considerando-se o melhor serviço possível, não tem uma motivação ideológica", afirmou. "Existem muitos médicos cubanos dispostos a fazer esse trabalho. Talvez não tenham tantos austríacos, por exemplo."

Patriota participa de uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores da Câmara e foi questionado pelo deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), que é médico. O deputado perguntou se havia algum tipo de acordo, um "escambo" entre Brasil e Cuba para trocar investimentos, como a construção do Porto de Mariel, próximo a Havana, financiado pelo governo brasileiro, e a vinda dos médicos. "Não existe 'escambo', isso nunca nos passou pela cabeça. São iniciativas totalmente distintas. O Mais Médicos trata da carência de médicos no País. Muitos países recorrem à vinda de médicos estrangeiros, é algo aceito internacionalmente como uma estratégia de saúde", afirmou.

O ministro também foi questionado se os contratos com os cubanos, que não receberão todo o valor pago pelo governo, não preocupa. Patriota lembrou que o contrato é feito via Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o que garante que os procedimentos são os melhores possíveis. "Se houver algum problema, tenho certeza que a Opas será a primeira a velar para que seja corrigido", disse.

O governo federal anunciou na quarta-feira que vai contratar 4 mil médicos cubanos em um convênio com a Organização Panamericana de Saúde (Opas). Os profissionais vão suprir as vagas não preenchidas no Programa Mais Médicos.

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