Henry Nicholls/Reuters
Henry Nicholls/Reuters

Imunidade após infecção pelo novo coronavírus pode durar pouco tempo, sugere estudo

Cientistas do Imperial College London observaram diminuição dos anticorpos na população britânica ao longo dos meses, o que reforça a perspectiva de que a proteção não é duradoura

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2020 | 07h21

Um estudo do Imperial College London publicado nesta terça-feira, 27, sugere que a imunidade após infecção pelo novo coronavírus pode não ser duradoura. Cientistas observaram que os anticorpos que agem contra o vírus diminuíram rapidamente na população britânica. Os resultados foram divulgados como preprint (pré-publicação) e ainda sem revisão de pares.

Os pesquisadores rastrearam os níveis de anticorpos em 365 mil pessoas na Inglaterra após a primeira onda de infecções por covid-19. Análises realizadas entre 20 de junho e 28 de setembro, por meio de teste sorológico, mostraram que a prevalência de anticorpos caiu 26,5% durante o período de estudo, de quase 6% para 4,4%.

Os resultados sugerem que a perspectiva de redução da imunidade antes de uma segunda onda só aumenta. Embora a proteção ao novo coronavírus seja um tema complexo, e envolva as células T, bem como células B que podem estimular a produção rápida de anticorpos após uma nova exposição ao vírus, os cientistas disseram que a experiência com outros coronavírus indica que a imunidade pode não durar muito tempo.

"Podemos ver os anticorpos e podemos vê-los diminuindo; e sabemos que os anticorpos, por si próprios, são bastante protetores", disse Wendy Barclay, chefe do Departamento de Doenças Infecciosas do Imperial College London.

Pessoas que tiveram a confirmação da covid-19 por meio do teste RT-PCR, considerado padrão ouro, tiveram um declínio menos pronunciado nos anticorpos em comparação com aquelas que eram assintomáticas e desconheciam a infecção. A tendência de queda foi observada em todas as regiões do país e faixas etárias, sendo, entretanto, maior em idosos com 75 anos ou mais. Não houve alteração dos níveis de anticorpos observados nos profissionais de saúde, possivelmente devido à exposição repetida ao vírus.

Barclay disse que a rápida diminuição dos anticorpos não teve, necessariamente, implicações para a eficácia das vacinas que atualmente estão em testes clínicos. "Uma boa vacina pode ser melhor do que a imunidade natural", disse ela. 

O professor Paul Elliott, autor do estudo, disse que "o teste positivo para anticorpos não significa que você seja imune à covid-19". Segundo ele, ainda não está claro qual o nível de imunidade que os anticorpos fornecem ou quanto tempo ela dura. “Se alguém der positivo para anticorpos, ainda assim precisará seguir as diretrizes nacionais, incluindo medidas de distanciamento social; fazer um teste com swab se apresentar sintomas; e usar proteções faciais quando necessário."/ Com informações da Reuters

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