Inalar insulina poderia melhorar perda de memória por Alzheimer

Pacientes em estágio inicial da doença registraram avanços em teste por pelo menos dois meses

Reuters

15 Julho 2010 | 17h42

HONOLULU - Aplicar insulina nas narinas dos pacientes em estágio inicial do mal de Alzheimer parece melhorar a memória deles, segundo pesquisadores americanos.

As pessoas que receberam o tratamento por quatro meses registraram avanços em um teste de recuperação de memória durante pelo menos dois meses.

"Acreditamos que nossos resultados são muito promissores e garantirão futuros artigos", disse a médica Suzanne Craft, do Sistema de Saúde VA Puget Sound e da Universidade de Washington, em Seattle, que apresentou suas conclusões na reunião da Associação de Alzheimer, em Honolulu, Havaí.

A doença, que provoca a deterioração cerebral, é fatal e incurável. Atinge 26 milhões de pessoas em todo o mundo e é a forma mais comum de demência.

Vários estudos têm sugerido que pessoas com Alzheimer têm menores níveis de insulina no cérebro, mesmo em fases iniciais. O hormônio é importante para a comunicação entre os neurônios e necessário para as funções cerebrais.

A equipe de Suzanne queria ver o que aconteceria se administrasse a insulina diretamente até o cérebro. Para isso, foram estudados 109 pacientes não diabéticos com Alzheimer ou condição precursora, chamada transtorno cognitivo leve.

Um terço dos pacientes recebeu placebo e os outros dois terços, diferentes doses de insulina, que foram carregadas em um nebulizador e, em seguida, aplicadas no nariz duas vezes ao dia durante quatro meses.

Os pacientes que tomaram a dose mais baixa tiveram melhora significativa em alguns testes de memória, mas não mostraram progressos em alguns testes de memória e aprendizagem ou que media a capacidade para atividades diárias.

Em 15 pacientes tratados com insulina que aceitaram se submeter a uma punção lombar, a equipe encontrou uma ligação entre a melhoria da memória e o progresso nas medições de proteínas-chave ligadas ao Alzheimer.

Suzanne disse que ainda há muito a ser feito para o tratamento poder ser usado em pacientes, mas os resultados são sólidos o suficiente para serem estudados em uma experimentação maior.

As drogas atuais ajudam a lidar com os sintomas, mas nenhum tratamento pode retardar a progressão da doença, que pode começar com uma ligeira perda de memória e confusão antes de avançar para a incapacidade total e a morte.

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