Incentivados pelo governo, médicos americanos adotam 'e-prescrições'

Em 2009, profissionais de 47 dos 50 Estados mais que dobraram uso de receita eletrônica

Reuters

21 Setembro 2010 | 17h43

CHICAGO - Médicos americanos cada vez mais dispensam papel e caneta e adotam meios eletrônicos para enviar prescrições para farmácias, incentivados por mais de US$ 27 bilhões (R$ 46 bilhões) em fundos do governo para acelerar essa transição digital de registros.

Cerca de 200 mil médicos nos Estados Unidos usam a "e-prescrição", ou seja, aproximadamente um em cada três profissionais que trabalham em escritórios. No fim de 2009, eram 156 mil e, em 2008, 74 mil, segundo dados divulgado nesta terça-feira, 21, pelo SureScripts, que opera a maior rede de prescrição eletrônica do país.

Segundo a empresa, 47 dos 50 Estados americanos mais que dobraram o uso de prescrição eletrônica no ano passado. Em Massachusetts, por exemplo, uma em cada três receitas médicas é escrita por via eletrônica, e 57% dos especialistas adotaram o novo sistema.

Em Michigan, Estado que tem sido duramente atingido pela desaceleração da indústria automotiva, os profissionais fazem uso de recursos que lhes permitem saber, por exemplo, se o plano de saúde dos pacientes cobre determinados medicamentos.

O presidente Barack Obama tem feito da tecnologia da informação um elemento central em seu plano de cortar custos do sistema de saúde dos Estados Unidos, classificado como um dos piores em relação à qualidade dos oferecidos por outros países ricos.

No Congresso

Em 2009, o Congresso americano autorizou um financiamento para promover os registros eletrônicos de saúde, como parte do pacote de estímulo econômico. Os incentivos serão pagos em cinco anos, até 2015, e os fornecedores terão de enfrentar sanções se não adotarem a nova tecnologia.

Como resultado, muitos médicos devem mudar definitivamente para as prescrições eletrônicas, que prometem evitar erros médicos causados pela má caligrafia e por interações medicamentosas prejudiciais.

Segundo o Dr. Edward Lisberg, especialista em alergia e asma de River Forest, em Illinois, que fez a mudança para e-prescrições e registros médicos eletrônicos há nove meses, a transição das primeiras foi muito mais simples, visto que os registros médicos incluem a transferência de anos de histórico dos pacientes para um formulário digital.

Lisberg disse que não atende o mínimo de pacientes do sistema Medicare (seguro de saúde federal que abrange pessoas acima de 65 anos e portadores de deficiências) exigidos para que ele possa se beneficiar dos US$ 44 mil dólares (R$ 75 mil) oferecidos pelo governo para cobrir os custos da conversão dos registros de papel para o meio digital.

"É uma economia de tempo para os pacientes, mas não muito para os médicos", afirmou Lisberg. Isso porque ele pode ter de criar novos modelos de prescrição eletrônica se quiser personalizá-las.

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