Incor-SP pede mais dinheiro ao BNDES para contornar crise

O governo de São Paulo e o Instituto do Coração (Incor) solicitaram um empréstimo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na tentativa de controlar a pior crise financeira desse instituto do Hospital das Clínicas de São Paulo. Teme-se que o Incor, maior centro público de cardiologia da América Latina, seja obrigado a suspender os atendimentos. Num discurso ontem, o governador Cláudio Lembo (PFL) afirmou que apresentou a situação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Falamos sobre isso na segunda-feira e ontem. O BNDES está com tudo equacionado." O diretor executivo do Incor, David Uip, deu mais detalhes. Segundo ele, o banco estatal emprestaria cerca de R$ 120 milhões à instituição. Para que o negócio se concretize, seria necessário que um banco comercial seja o agente financeiro (como um fiador) do empréstimo. "Alguns já nos disseram que não. As negociações estão avançadas com dois bancos privados." Críticas do Governo O Incor é administrado pelo governo de São Paulo e pela Fundação Zerbini. Quem enfrenta dificuldades financeiras é a fundação. "O Incor tem todo o apoio do governo. O Hospital das Clínicas é um departamento do Estado", disse o governador Lembo. "Quem vai mal é a fundação particular, por causa de uma série de posições do passado. E, como você sabe, o passado nem Deus muda. Não adianta discutir." E exemplificou: "A Fundação Zerbini esteve presente em Aruba, com um hospital fora do Brasil, um hospital em Brasília, empresas de coleta de lixo no Nordeste. Tudo isso tem de ser revisto". Por falta de dinheiro, os encargos trabalhistas dos funcionários do Incor não foram recolhidos nos dois últimos meses. Parte da complementação salarial também não foi paga. Segundo Uip, diante da crise, os médicos abriram mão de 15% da complementação. O governo estadual teve de injetar R$ 50 milhões extras no Incor ao longo deste ano. Segundo David Uip, o esperado empréstimo do BNDES teria de ser "de pagamento longo, carência grande e juros baixos". "Não somos uma empresa, não objetivamos lucro. Somos um hospital universitário e público." Cláudio Lembo disse que representantes do Incor estão em Brasília tentando obter verbas de emendas parlamentares. Analistas do mercado, porém, estranharam a informação de que o BNDES poderia fornecer um empréstimo, já que a Fundação Zerbini ainda tem uma dívida com o banco. Questionados pelo jornal O Estado de S. Paulo, o BNDES e os bancos procurados pela fundação disseram que não comentariam o caso em razão do 'sigilo bancário' que envolve operações assim.

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