REUTERS/Thomas Peter/Arquivo
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Indonésia aprova uso emergencial da Coronavac após eficácia de 65,3% em testes no país

Eficácia apontada por órgão regulador indonésio é menor que a divulgada pelo Instituto Butantã no Brasil; segundo coordenador de centro de pesquisa da Coronavac no Hospital das Clínicas, eficácia de 78% é somente um recorte do estudo

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 07h04

A Indonésia aprovou na manhã desta segunda-feira, 11, o uso emergencial da Coronavac, vacina contra covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac que, no Brasil, contou com a parceria do Instituto Butantã. O órgão regulador indonésio (BPOM) relatou taxa de eficácia de 65,3% após testes próprios. No Brasil, o índice de eficácia geral deve ser divulgado nesta terça-feira, 12. Na semana passada, o Instituto Butantã anunciou eficácia de 78%, mas o número reflete um recorte do estudo clínico e não inclui os voluntários assintomáticos ou que tiveram sintomas leves da doença, sem necessidade de apoio médico.

“Esses resultados estão de acordo com o requisito de eficácia mínima de 50% estabelecido pela Organização Mundial de Saúde", disse a chefe do BPOM, Penny Lukito. Segundo a agência Reuters, um servidor da agência regulatória disse que a taxa de eficácia foi determinada a partir da confirmação de 25 casos de covid-19 entre os 1.600 voluntários dos estudos clínicos no país, mas não deu mais detalhes. A vacina foi testada em pessoas de 18 a 59 anos. 

Especialistas em saúde pública questionam o quão bem sucedida será a distribuição da vacina devido ao número limitado de doses disponíveis, desafios logísticos e ceticismo em torno do imunizante. 

Para Dale Fisher, consultor sênior da Divisão de Doenças Infecciosas da Universidade de Cingapura, a falta de transparência na divulgação de dados detalhados dos estudos clínicos pode ser outro problema.  "A comunicação é mais importante que nunca", disse ele. 

O quarto país mais populoso do mundo é o primeiro - além da China - a aprovar a Coronavac para uso emergencial. A imunização na Indonésia está marcada para começar já nesta semana. O presidente Joko Widodo deve ser o primeiro cidadão a receber a dose da Coronavac no país. "Por que o presidente é o primeiro? Não para se colocar na frente, mas para que todos acreditem que a vacina é segura e lícita", escreveu Widodo em seu Twitter na última quinta-feira. 

Cerca de 1,3 milhão de profissionais da linha de frente contra o coronavírus devem ser os primeiros a receber a vacina. Em seguida, na tentativa de recuperar a economia, a Indonésia planeja priorizar trabalhadores jovens em vez de pessoas do grupo de risco, como idosos.

A Indonésia já registrou mais de 830 mil casos de covid-19 e 24 mil mortes em decorrência da doença. Mais de um décimo dos óbitos ocorreram nas duas últimas semanas.

A vacina contra o novo coronavírus da Sinovac passou por testes clínicos de fase três em Brasil, Indonésia e Turquia - país que, por sua vez, anunciou eficácia de 91,25%.

Brasil

A Coronavac ainda aguarda autorização da Anvisa para uso emergencial no País. De acordo com o órgão regulador brasileiro, o Instituto Butantã não entregou toda a documentação necessária para os trâmites legais. Em entrevista à CNN Brasil na noite de ontem, o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse que vai analisar as pendências com a Anvisa ainda nesta manhã.

Epidemiologistas e microbiologistas têm pedido à equipe da Coronavac no Brasil a disponibilização dos estudos completos do imunizante, ainda não divulgados. Como explicou ao Estadão/Broadcast o infectologista Esper Kallas, professor da Faculdade de Medicina da USP e coordenador do centro da pesquisa da Coronavac no Hospital das Clínicas, a taxa de eficácia de 78% informada na última quinta-feira é somente um recorte do estudo da vacina e não corresponde ao índice geral de eficácia, que deve ficar abaixo dos 78% informados./Com informações da Reuters

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