Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Indústria do fumo busca cada vez mais as mulheres jovens, diz OMS

Em algumas economias emergentes, já há mais mulheres que homens viciados em nicotina

BBC Brasil

31 de maio de 2010 | 18h14

LONDRES - A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que a indústria tabagista tem concentrado seus esforços em conquistar mais consumidores do sexo feminino e nos países em desenvolvimento. Em uma declaração divulgada nesta segunda-feira, 31, por ocasião do Dia Mundial Sem Tabaco, a organização disse que, em algumas economias emergentes, já há mais mulheres do que homens jovens que fumam regularmente.

 

Segundo a OMS, isso é uma realidade em países como Bulgária, Chile, Colômbia, Uruguai, Croácia, México, República Tcheca, Nigéria e Nova Zelândia. O fumo é a maior causa de mortes evitáveis do mundo, vitimando mais de cinco milhões de pessoas por ano. Dessas, em média 1,5 milhão são mulheres.

 

Jovens

 

A OMS estima que, atualmente, apenas 20% do total de fumantes no mundo são do sexo feminino. "Sabemos que a propaganda do cigarro cada vez mais se direciona às mulheres jovens", disse o diretor-geral assistente para doenças não contagiosas e saúde mental da OMS, Ala Alwan. A indústria tabagista, de acordo com a entidade, procura difundir a imagem de que consumir cigarro é elegante e está na moda.

 

Para a diretora-geral da OMS, Margaret Chan,"as tendências em alguns países são extremamente preocupantes. O uso do tabaco não é libertador nem glamoroso. É viciante e mortal".

 

Distribuição gratuita

 

À medida que diminuem as possibilidades de comercialização e de promoção do cigarro em países ricos, devido a restrições na lei, a indústria volta suas atenções para o mundo em desenvolvimento, diz a OMS. Em nações mais pobres, cigarros são distribuídos gratuitamente em discotecas e concertos de música.

 

Para tentar contrabalançar a imagem difundida pelas propagandas publicitárias, a OMS lançou uma série de pôsteres que mostram a verdade nada glamorosa sobre o fumo. Os cartazes falam do mau hálito, dos dedos manchados e do câncer da garganta, entre outras consequências do vício em tabaco.

 

Demografia do fumo

 

Segundo a OMS, uma pessoa morre a cada seis segundos no mundo vítima do cigarro. Em linhas gerais, três quartos (75%) da população que fuma no mundo - cerca de um bilhão de pessoas - vive em nações asiáticas. A China está em primeiro lugar, com cerca de 350 milhões de fumantes, seguida pela Índia, com 290 milhões.

 

Impostos são a forma mais efetiva de reduzir o uso do tabaco, especialmente entre os jovens e os pobres, diz a OMS. Os cálculos citados pela organização são de que um aumento de 10% nos impostos diminua o consumo em 4% em países de alta renda e em 8% em países de baixa e média rendas.

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