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Indústrias retiram 7 mil toneladas de sódio dos alimentos

Dado se refere ao intervalo entre os anos de 2011 e 2014; meta até 2020 é que sejam retiradas 28.562 toneladas da substância

O Estado de S. Paulo

12 Maio 2015 | 16h31

Atualizada às 20h50

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde divulgou nesta terça-feira, 12, o resultado do acordo feito em 2011 com a Associação das Indústrias da Alimentação (Abia) para redução de sódio nos alimentos. Segundo os dados, entre 2011 e 2014, a diminuição atinge 7.652 toneladas. A meta até 2020 é que sejam retiradas 28.562 toneladas. 

De acordo com o ministério, as maiores taxas de diminuição foram feitas nos rocamboles (21,1%), bolo aerado (16,6%) e maionese (16,23%), bolos prontos sem recheio (15,8%) e bolos prontos com recheio (15%). As menores foram no biscoito salgado (5,8%), mistura para bolo cremoso (5,9%), biscoito recheado (6,48%), salgadinho de milho (9,4%) e biscoito doce (11,41%). Batata frita e batata palha tiveram redução de 13,71%.

O levantamento se refere à segunda etapa do Plano Nacional de Redução de Sódio em Alimentos Processados. Nesta etapa, foram analisados biscoitos, bolos, maioneses e snacks (salgadinhos de milho).

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, comemorou o resultado, mas disse que é preciso diminuir o consumo nas escolas. “Não adianta comemorarmos a retirada de mais de 5 mil toneladas de sódio se não tivermos capacidade de trabalhar na alimentação, na merenda escolar e na retirada do saleiro da mesa.” Segundo Deborah Malta, diretora do ministério, mais da metade da população idosa diz ter pressão alta. “Por isso a redução do sódio é tão benéfica.”

Veja dicas para evitar o consumo elevado de sódio: 

Já o presidente da Abia, Edmundo Klotz, afirmou que a indústria busca, depois que a meta for obtida, substituir o consumo do sal doméstico. “A primeira fase é a retirada do sódio e a segunda, a substituição.”

O levantamento mostra que, em 2013, 95% dos 839 produtos analisados, de 69 empresas, conseguiram reduzir o teor de sódio da composição. Aquelas que não conseguiram obter o resultado esperado foram notificadas pelo ministério.

A próxima etapa do pacto será em 2016, quando serão avaliados margarina, hambúrguer, empanados e salsichas. Na primeira fase, em 2011, a queda foi de 1.859 toneladas. Foram abordados macarrão instantâneo, pão de forma e bisnaguinha.

Cuidados. Diminuir o consumo de sal deve ser uma meta trabalhada desde a infância, segundo o cardiologista e especialista em hipertensão do Hospital do Coração (HCor) Celso Amodeo. “A criança deve ser educada comendo pouco sal. O problema é que, para muitas famílias, é mais fácil dar dinheiro para ela comprar algo na cantina do que preparar um lanche.”

Amodeo explica que não é necessário abolir o ingrediente da alimentação. “O sal faz parte do nosso organismo, mas acabamos comendo mais do que precisamos. O ideal é consumir quatro a cinco gramas por dia.”

A hipertensão costuma ser o problema de saúde mais citado quando se fala em doenças ligadas ao consumo excessivo de sódio, mas outras complicações podem aparecer. “Além das doenças cardiovasculares, tem a osteoporose, doenças renais, câncer de estômago e até catarata.” / COLABOROU PAULA FELIX


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