Fábio Bispo
Fábio Bispo

Infectados em Blumenau só podem se deslocar até 15 metros do local de isolamento

Prefeitura determinou regras mais rígidas para casos suspeitos e confirmados do novo coronavírus após disparada no número de infectados

Fábio Bispo, especial para O Estado

06 de maio de 2020 | 16h55

FLORIANÓPOLIS - A cidade de Blumenau se tornou o novo foco de atenção do novo coronavírus em Santa Catarina. Com a primeira morte registrada nesta semana, de uma profissional da saúde, e um salto no número de infectados, a prefeitura do município decretou isolamento total para casos confirmados e suspeitos. Desde 13 de abril, quando o comércio foi liberado, o número de casos na cidade aumentou quase quatro vezes, passando de 68 infectados para 257, segundo dados da gestão municipal.

A partir desta quarta-feira, 6, todos os casos confirmados para a covid-19 serão monitorados por um aplicativo e não poderão se afastar mais do que 15 metros do local de isolamento domiciliar. Já os casos suspeitos também permanecerão em quarentena até que o teste dê negativo.

Em comunicado nas redes sociais, o prefeito Mario Hildebrandt (Podemos) explicou que o sistema vai permitir comunicação direta das equipes de saúde com o paciente. “Nós vamos apertar esta questão. O que me preocupa mais é se esses casos se agravarem. Por isso que a pessoa não pode sair de um perímetro de 15 metros; se ela sair, o sistema vai nos alertar”, afirmou.

Blumenau foi foco do noticiário nacional no dia 22 de abril, quando os shoppings da cidade foram reabertos. As cenas de aglomerações, com eventos para receber os clientes que formaram filas, ganharam repercussão e motivaram uma ação civil por parte da Defensoria Pública, que exigiu adoção de medidas de prevenção. Após a abertura dos shoppings, os casos confirmados triplicaram. Desde o dia 20 de abril, o uso de máscaras é obrigatório.

Na semana passada, o Estado flagrou aglomerações de pessoas em bares da cidade, mas, mesmo com a obrigação do uso de máscaras, era raro encontrar alguém usando a proteção.

Roger Andreani, de 33 anos, diz que não consegue entender a cultura de negação que se instalou na cidade. “As pessoas simplesmente não se cuidam, não usam máscara e não adotam as medidas de prevenção. Eu achei um erro liberarem a quarentena”. Andreani diz que, nas empresas, as medidas de proteção não têm sido respeitadas e é comum ver grande número de pessoas em escritórios fechados sem proteção ou demais cuidados.

O estado catarinense, que foi um dos primeiros a implantar medidas de isolamento mais rígidas, com uma a quarentena decretada em 17 de março, também acabou antecipando o relaxamento, em 13 de abril, permitindo retorno do comércio e praticamente todas as demais atividades. Apenas o transporte coletivo e eventos que reúnam grandes grupos de pessoas seguem suspensos.

O número de infectados em Santa Catarina já soma 2.795 casos, com 58 mortes. A propagação do vírus também é muito maior em um mês, quando estava mais concentrado na capital Florianópolis e no Sul do Estado. Em cidades do Oeste catarinense, como Chapecó e Concórdia, que praticamente não tinham registros há um mês, hoje já figuram entre as cinco com maior número de infectados.

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