Inquérito: Desnutrição infantil cai no semi-árido

Mais crianças nutridas, menor déficit de altura e impacto positivo dos programas de transferência de renda do Governo federal. Esses são alguns resultados apontados pela Chamada Nutricional, um inquérito que avaliou 17 mil crianças de até cinco anos de idade em 307 municípios da região do semi-árido brasileiro, além de assentamentos localizados no Nordeste e em Minas Gerais. A Chamada Nutricional, parceria entre os ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, mostra que 92,8% dos meninos e meninas examinados fazem pelo menos três refeições por dia e apenas 6,6% deles apresentam déficit de altura (desnutrição crônica). Em comparação com pesquisas anteriores, os números revelam avanços significativos: o déficit de altura na Região Nordeste, por exemplo, era de 27,3%, em 1989, e de 17,9%, em 1996. Classes "D" e "E" A Chamada Nutricional, realizada em dez estados durante a segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite do ano passado (20 de agosto), registrou que 74,8% das crianças vivem em famílias de classes sociais "D" ou "E", 76,3% são pardas ou pretas e 68,8% foram amamentadas por pelo menos seis meses. Das famílias pesquisadas, 35,3% informaram que são beneficiárias do programa Bolsa Família. Um dado pela primeira vez quantificado mostra que o número de refeições é o principal fator de diferenciação no déficit de altura das crianças. Entre as crianças de famílias que fazem menos de três refeições ao dia, o índice de desnutrição crônica é três vezes maior (16,4%) do que nas que fazem três ou mais refeições (5,8%). Bolsa-Família A pesquisa identifica ainda os efeitos positivos dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. As crianças beneficiárias, de seis a 11 meses de idade, correriam risco 62,1% maior de apresentar desnutrição crônica, caso não fossem atendidas. Efeitos mais modestos foram observados em crianças mais velhas: redução na desnutrição de 28,3% para crianças de 12 a 35 meses de idade e de 25,7% na faixa de 36 a 59 meses de idade. O Ministério da Saúde investiu R$ 128 mil na Chamada Nutricional. Com a avaliação do desenvolvimento das crianças, identificando riscos de saúde por desnutrição ou sobrepeso, elas poderão ser encaminhadas ao tratamento adequado. A mobilização contra a pólio foi a melhor oportunidade para realizar a Chamada Nutricional, uma vez que foi verificada a saúde das crianças menores de cinco anos, público-alvo da vacinação. As informações serão incluídas numa base de dados sobre situação nutricional, instrumento que possibilitará a prevenção de doenças e agravos e acompanhamento desta população. A iniciativa faz parte do pacto "Um Mundo para a Criança e o Adolescente do Semi-Árido", liderado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e que conta com apoio dos governadores de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e Minas Gerais, além dos prefeitos de mais de mil municípios que compõem o semi-árido. Parceiros Para garantir o êxito da Chamada Nutricional, o Ministério da Saúde mantém articulação com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Foram mobilizadas diversas secretarias e órgãos, como a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), Secretaria de Atenção à Saúde (SAS), Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Também participam o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), as secretarias de Saúde dos estados envolvidos, o Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), o Fundo das Nações Unidas (Unicef), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e as universidades federais dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e universidades de Ouro Preto (MG) e Fluminense (RJ), entre outros parceiros. As informações são da Agência Saúde.

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