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Kirsty Wigglesworth/AP Photo
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Universidades brasileiras querem usar inteligência artificial para detectar variantes do coronavírus

Tecnologia deve facilitar também a identificação de possíveis novos focos da doença e comorbidades não associadas aos casos graves

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2021 | 05h00
Atualizado 14 de maio de 2021 | 15h11

RIO - Cinco instituições do País criaram em parceria um projeto para combater a covid-19 usando inteligência artificial.  O objetivo é empregar essa tecnologia para detectar mais rapidamente variantes do coronavírus, prever possíveis novos focos da doença  e identificar comorbidades ainda não associadas a seus casos graves. Dessa forma, ajudaria médicos e gestores na busca por tratamentos e políticas públicas mais eficazes.

A iniciativa é uma das doze selecionadas pela Chamada Pública BRICS Covid-19. A ação apoia pesquisas de enfrentamento à crise sanitária nos países do bloco. A China não participa. O projeto brasileiro é coordenado pela professora de Robótica e Inteligência Artificial  Esther Colombini. Ela integra o Instituto dos Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE). Também atua junto à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Atuam no projeto ainda pesquisadores da própria Unicamp, da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Insper. "Médicos e especialistas só conseguem identificar novas cepas quando eles vão percebendo novos padrões da covid", lembrou Esther. Com o uso de inteligência artificial, será possível analisar milhões de prontuários e exames clínicos e de imagem para identificar mais rapidamente esses padrões. Além de acelerar a descoberta de novas cepas, o projeto tem potencial para ajudar também em outras frentes.

"Poderemos,  por exemplo, identificar se com determinados padrões a pessoa pode ter uma evolução melhor ou pior da doença. Hoje uma comorbidade prévia pode ser um fator agravante, mas talvez no futuro não seja. A idade ainda é importante, mas não é um fator predominante como era nas primeiras cepas. A ideia de usar sistemas inteligentes é justamente alimentá-los o tempo inteiro com novos dados para que eles possam identificar novos padrões", explicou.

O projeto foi iniciado recentemente. A  expectativa é que os primeiros resultados possam ser vistos dentro de seis meses. Até lá, um dos desafios será conseguir uma base de dados robusta para mapear os padrões. Por ora, os pesquisadores usam bancos de dados públicos e de alguns de hospitais privados de São Paulo. "A ideia é expandir, fazer parcerias com outros Estados e outros hospitais", disse ela.

Esther afirmou que algumas dificuldades precisarão ser superadas. "Às vezes temos uma base com quatro milhões de registros, mas dos quais conseguimos usar efetivamente 500 mil”, declarou. “Os prontuários eletrônicos são importantes, são a base para nós, mas o próprio preenchimento, ou mesmo a forma como os sistemas são construídos, dificulta, porque são diferentes. É um desafio não só nosso, mas que é visto no mundo todo."

Segundo Esther, o objetivo da pesquisa é aprimorar as condições de enfrentamento da pandemia nas mais diversas frentes. "Nossa ideia é oferecer apoio para tomada de decisão em meio à pandemia, não apenas no tratamento, mas também sobre regiões com maior risco de infecção e até mesmo auxiliar para se fazer uma melhor distribuição de insumos pelo País."

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