Instituto de SP cria implante de células-tronco no coração

O Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC) de São José do Rio Preto (SP) anunciou a criação de uma minicirurgia. A técnica consiste na aplicação de células-tronco adultas no coração de pacientes diabéticos vítimas de enfarte, que pela primeira vez passam a ser tratados com terapia celular no País. Chamadas de minitoracotomias, essas cirurgias começaram a ser feitas há um ano, mas só foram divulgadas neste fim de semana, durante a Jornada de Cardiologia promovida pelo IMC e pelo Hospital Albert Einstein, em Rio Preto. Até a chegada da minitoracotomia, a infusão de células-tronco no Brasil estava restrita a pacientes com coronárias saudáveis, usadas para receber o cateter que levava as células-tronco ao coração, e a pacientes que tinham de ser submetidos a cirurgias para abertura do peito. A nova técnica cirúrgica possibilita o uso da terapia celular em pacientes com artérias mortas, geralmente atingidas pelo enfarte - que não podem receber o implante de células por cateter - e também em pacientes que não podem ter o coração aberto para cirurgias de revascularização. Criador da minitoracotomia, o cirurgião Roberto Vito Ardito, do IMC, realizou 12 procedimentos desde abril do ano passado e os resultados, segundo ele, "são altamente animadores". "Os pacientes apresentaram uma grande melhora na qualidade de vida", diz. Um deles é o delegado aposentado Wilson Lopes, de 76 anos, que passou pela cirurgia em dezembro e diz ter melhorado "50%" desde então. A minicirurgia exige um corte de apenas 5 centímetros e um tempo de internação inferior a três dias, enquanto a abertura tradicional do tórax eleva o corte para mais de 20 centímetros e o tempo de internação a uma semana. Além disso, enquanto a minitoracotomia necessita de menos de dez minutos de cirurgia, a cirurgia por cateter ou pela abertura do peito precisa de mais de duas horas e meia. "Ela é pouco invasiva, menos agressiva e propicia menos dor a um paciente pelo qual não se teria mais nada a fazer", diz Ardito. Menos Inflamações - Em comparação com a técnica que utiliza cateter, usada há mais tempo no País, a minitoracotomia apresenta inúmeras vantagens, mas a principal é que "ela possibilita ao cirurgião ter uma visão completa do coração e conseqüente melhor aplicação das células no órgão", diz o Ricardo Ribeiro dos Santos, coordenador do Hospital São Rafael, de Salvador (BA), uma das maiores autoridades em células-tronco do País. Além disso, segundo Santos, ela reduz a ocorrência de inflamações porque as infusões são feitas por injeção. O sucesso da minitoracotomia pode fazer com que o Ministério da Saúde abra espaço para o tratamento no Estudo Multicêntrico Randomizado para uso de terapia celular em pacientes cardíacos, iniciado em junho. "Essa é uma discussão que o Ministério da Saúde deverá fazer nesta semana, uma vez que a minitoracotomia apresenta melhores resultados que o uso de cateter", diz o coordenador-geral do Projeto Células-Tronco do IMC, Oswaldo Greco. De acordo com Ardito, a minitoracotomia foi inspirada em sua experiência com o implante de marca-passo via epicardio (membrana do coração). "Percebi que era possível criar um procedimento semelhante para aplicar as células-tronco."

Agencia Estado,

11 de abril de 2006 | 08h49

Tudo o que sabemos sobre:
notícia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.