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Instituto fará pesquisa com gestantes em Pernambuco

Objetivo é identificar eventuais alterações em feto como parte da estratégia para se comprovar ligação entre zika vírus e microcefalia

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2015 | 11h32

BRASÍLIA - O Instituto Aggeu Magalhães - unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco - vai iniciar uma pesquisa com gestantes do Estado para identificar eventuais alterações no feto, como parte da estratégia para se comprovar a ligação entre zika vírus e microcefalia. O Estado  apresenta o maior número de casos da doença no País - 268 nascimentos, a maior parte registrada nos últimos três meses. O número é 30 vezes maior do que a média anual do período 2010-2014. Em todo território nacional, nasceram 399 bebês com o problema, uma marca que já pode ser considerada epidemia.

"Acreditamos que a prospecção é um medida essencial. Vamos acompanhar de perto essas mulheres. Isso torna mais fácil identificar qualquer tipo de alteração e torna mais ágil a associação com as causas do problema", avaliou o diretor do instituto, Sinval Brandão Filho. 

Nesta terça-feira, 17, como adiantou o Estado, a Fiocruz do Rio identificou a presença do zika vírus no líquido amniótico de dois fetos na Paraíba com microcefalia. As gestantes analisadas haviam apresentado sintomas da zika.  O resultado comprova a infecção da mãe para o feto. Embora muito importante, o achado, na avaliação do Ministério da Saúde, não é suficiente para garantir que a microcefalia foi provocada unicamente pelo vírus zika. 

"Não podemos ser categóricos, mas o achado não pode ser considerado uma coincidência", afirmou o diretor do Departamento de Doenças Infecciosas do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch. Ele justificou a cautela: "Essa é um situação nova no mundo".

Diante dessa situação, o governo convidou cientistas do Brasil e do mundo a comprovar essa causa e efeito. Brandão Filho está confiante com revelações que o acompanhamento das gestantes poderá propiciar. Ele observa que o maior obstáculo ao fazer uma análise das causas do surto a partir dos bebês que já têm microcefalia está na coleta de informações.

"Estamos falando de coisas que aconteceram com gestantes há cinco, seis meses. Nessas condições, é difícil ter uma certeza de que todas as informações relevantes foram prestadas", explicou. "Há grande risco de a mulher esquecer, por exemplo, de relatar o uso de um remédio, o contato com produto que eventualmente possa estar associado ao problema."

A análise das gestantes não será a única frente a ser trabalhada pelo Aggeu Magalhães. A Fiocruz aposta também no aumento do arsenal disponível para o diagnóstico da infecção. Os exames atualmente são feitos por meio do PCR, um exame que identifica fragmentos do vírus no material coletado da mãe e do bebê.  A Fiocruz  vai  importar kits de diagnóstico desenvolvido por uma empresa europeia para ser usado na gestantes. O exame tem como objetivo identificar infecções para os quatro sorotipos de dengue, chikungunya e zika.

"Há ainda dúvidas sobre a precisão do teste, justamente por isso ele será usado em associação com outros métodos", contou Brandão Filho.

Em outra flanco, pesquisadores vão acelerar o desenvolvimento de dois testes na Fiocruz para identificação do contágio por zika: uma espécie de Elisa caseiro e outro exame, chamado western blot, que usa biologia molecular para identificar a presença do vírus.

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