Instituto leva projeto sobre obesidade para a escola pública

Dieta e ginástica. A dupla mais festejada dos programas de emagrecimento não é suficiente para tratar a obesidade, doença já considerada pela Organização Mundial de Saúde uma epidemia. Mais que cuidar dos danos físicos, é preciso cuidar da saúde emocional e psicológica do paciente. Esta foi a conclusão da equipe que coordena o projeto Melhoria na Qualidade de Vida em Crianças e Adolescentes Obesos de Baixa Renda, criado pelo Instituto Movere de Ações Comunitárias, uma organização não-governamental nascida em 2004. Após dois anos de atendimento, os profissionais do instituto elaboraram um quadro comparativo com números colhidos no início das atividades e no final de 2006. A pesquisa mostrou que o índice de insegurança entre as crianças, por exemplo, passou de 55% para 25%. No mesmo período, a dificuldade de relacionamento caiu de 70% para 25%. ?A obesidade afeta o ser humano em seu lado emocional, colocando-o numa situação de exclusão?, observa a presidente da ONG, Vera Lúcia Perino Barbosa. Durante o ano passado, o projeto foi aplicado na Emef Joaquim Nabuco. ?Somos uma das primeiras instituições a realizar uma intervenção desse nível em escola pública. Temos como meta atender às 44 escolas que já estão na nossa lista de espera. Todos os estudantes participaram das ações de prevenção, alimentação saudável e atividades físicas, trabalho estendido aos familiares e às merendeiras?, conta Vera. Cerca de mil alunos do ensino fundamental da Joaquim Nabuco vivenciaram as atividades propostas pelo Movere. No programa, consultas individuais com fisiologistas, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, endocrinologistas e pediatras. ?Foram realizados testes diversos, avaliação da porcentagem de gordura no corpo e coleta de sangue para checar colesterol e glicemia?, explica a presidente da ONG . Segundo ela, crianças que apresentaram alterações nos exames laboratoriais foram encaminhadas para postos de saúde. Autora do livro 'Prevenção da Obesidade na Infância e Adolescência - Exercício de Nutrição e Psicologia', Vera pesquisa sobre o assunto há vários anos. Da experiência, surgiu a motivação para fundar o Movere, que até hoje não recebe qualquer tipo de patrocínio ou apoio governamental. ?Uma criança obesa, se não for tratada, será um adulto obeso. O compromisso do instituto é transmitir os conceitos da atividade física regular e da alimentação adequada para toda a população.? No Brasil, a obesidade já preocupa mais do que a desnutrição. Em 2004, um relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que entre os 20% mais pobres do País, 27% dos homens estavam com peso acima do ideal e apenas 9,5% manifestavam falta de peso. Já entre as mulheres de baixa renda, 38,2% estavam com quilos extras enquanto 6,6% tinham peso inferior ao recomendado. Entre as crianças brasileiras, o panorama também é pouco otimista. Em recente pesquisa, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia constatou que 15% delas são obesas. O exemplo, possivelmente, vem de casa, já que 40% da população adulta do País está acima do peso. O índice é alto, mas mesmo assim passa longe dos impressionantes dados colhidos nos EUA. Ali, quase 80% das pessoas está acima do peso: é a maior população gorda do planeta.

Agencia Estado,

24 de janeiro de 2007 | 09h45

Tudo o que sabemos sobre:
notícia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.