Divulgação/Instituto Vital Brazil
Divulgação/Instituto Vital Brazil

Anticorpos produzidos por cavalos podem ser arma contra covid-19

Testes começam esta semana e reúnem especialistas da UFRJ, Fiocruz, Vital Brazil, UFF e IDor

Mariana Durão e Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2020 | 11h00
Atualizado 02 de junho de 2020 | 04h13

RIO - Anticorpos produzidos em cavalos são a nova esperança contra o novo coronavírus. Pesquisadores da (UFRJ), Fiocruz, Vital Brazil UFF e IDor começam a testar esta semana o desenvolvimento de um soro inédito para o tratamento da doença.

Liderados por Jerson Lima Silva, do Instituto de Bioquímica da UFRJ,  os cientistas pretendem inativar partículas do vírus SARS-CoV-2 com agentes químicos e físicos.  Uma outra técnica a ser testada é a partir da produção em laboratório de uma proteína similar à do vírus. As substâncias serão inoculadas nos cavalos para estimular a produção de anticorpos.

“Estamos apostando em duas estratégias diferentes”, explicou Silva. “A primeira é usar o vírus inativado; a outra é produzir em laboratório uma proteína similar à da superfície do vírus. Se funcionar com a proteína, é o melhor dos mundos porque é mais fácil de fazer em larga escala e não precisaremos de um laboratório de segurança nível 3.”

Como acontece na produção dos soros contra raiva, tétano ou veneno de cobra, os pesquisadores selecionarão os anticorpos neutralizantes produzidos pelos cavalos para a criação do soro. A ideia é injetar o soro em pacientes com os sintomas iniciais da doença.

A inativação das partículas do vírus para a produção de soro é uma técnica bem conhecida internacionalmente e que oferece alta imunogenicidade —  ou seja, capacidade de proteger os indivíduos que recebem a substância contra o agressor.

Segundo Lima Silva, no entanto, a proposta de usar a técnica para a produção do soro anti-SARS-CoV-2 em cavalos é totalmente inédita. O grupo da UFRJ tem grande experiência na inativação viral, enquanto que o Vital Brazil é especializado na produção de soros.

“Nesta primeira fase, estamos inoculando os animais para vermos que resposta teremos”, disse Silva. “Depois, temos que testar a capacidade desse soro de neutralizar o vírus em células, em laboratório, e em outros animais. Somente depois disso tudo poderemos testar em seres humano.”

Se tudo der certo, o chamado soro hiperimune pode estar disponível em cerca de quatro meses. A ideia é que o soro também sirva de base para uma eventual vacina no futuro.

Vários grupos no mundo têm estudado diferentes estratégias de vacina e tratamento contra SARS-CoV-2.  Entretanto, ainda não há dados sobre a eficácia de nenhuma estratágia adotada até o momento contra a covid-19.

A pesquisa é financiada pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Pessoal de Nivel Superior (Capes) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

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