Divulgação/Biomm
Divulgação/Biomm

Insulina inalável chega às farmácias brasileiras com preços a partir de R$ 1.900

Produto é o primeiro do tipo no País para o tratamento do diabete e substitui parte das injeções da insulina tradicional; especialistas apontam limitações

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2020 | 09h00

SÃO PAULO - Após receber a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em junho de 2019, a Afrezza, primeira insulina inalável do País, finalmente chegou às farmácias brasileiras, com preços a partir de R$ 1.900.

Embora tenha recebido o registro no ano passado, o produto precisou passar por outros trâmites antes de chegar ao mercado, entre eles a análise da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que define os preços dos remédios.

A nova insulina é comercializada em pó, em cartuchos com três tipos de dosagem. Para utilização, o paciente com diabete deve encaixar o cartucho no inalador e aspirar o pó. A substância chega ao pulmão e é absorvida pela corrente sanguínea, onde cumpre a função de reduzir os níveis de açúcar no sangue. Até agora, as insulinas disponíveis no mercado brasileiro eram apenas injetáveis. 

De acordo com o laboratório Biomm, fabricante da nova insulina, o valor de R$ 1.900 é referente à versão com dosagem de 8 UI (unidades internacionais) e 90 refis. Esse preço já considera o desconto dado pelo laboratório aos que se cadastrarem em um programa de pacientes. O preço cheio, aos não cadastrados, será de R$ 2.535,64.

A dosagem será definida pelo médico, mas uma caixa com 90 refis será suficiente, na maioria dos casos, para um mês de uso, considerando que são necessárias três aplicações por dia (uma antes de cada refeição).

O produto será comercializado ainda em outras duas versões: uma com 90 refis de 12 UI cada e outra com 180 refis, sendo 90 com dosagem de 4 UI e 90 com 8 UI. Cada caixa virá ainda com dois inaladores.

De acordo com Heraldo Marchezini, CEO da Biomm, o valor da medicação se justifica pelo caráter inovador do produto e pelo alto investimento feito pelos fabricantes no desenvolvimento da nova insulina. “Trata-se de um medicamento absolutamente inovador e de benefício único. Para oferecer aos pacientes uma medicação segura e eficaz, foram investidos mais de U$ 3 bilhões no desenvolvimento de Afrezza, contando com toda inovação e a incorporação de novas tecnologias. Vale reforçar que o custo praticado no Brasil ainda é inferior ao mercado americano, primeiro país a comercializar Afrezza”, destacou. O mercado brasileiro é o segundo a receber o produto.

Benefícios e contra-indicações

Segundo especialistas, embora represente uma alternativa no tratamento do diabete e um ganho na qualidade de vida por reduzir o número de injeções, a Afrezza tem limitações. Ela não é capaz de substituir todas as aplicações diárias de insulina, tem pouca variedade de dosagens e é contraindicada para pacientes com problemas pulmonares e menores de 18 anos.

Por outro lado, por não exigir refrigeração, é mais fácil de transportar e armazenar e poderá reduzir o número de picadas de agulha a que o paciente tem que submeter-se diariamente.

A insulina inalável pode substituir somente as aplicações de insulina de ação rápida ou ultrarrápida, também chamadas de bolus. Esse tipo de insulina é utilizada geralmente antes de cada refeição, quando o organismo precisa de um volume maior do hormônio para compensar o açúcar ingerido.

O outro tipo de insulina, a basal, de ação mais lenta, é geralmente aplicada somente uma vez por dia e não poderá ser substituída pelo produto inalável, como explica Lívia Porto, endocrinologista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

"Se o paciente diabético tem um tratamento nesse esquema basal-bolus, ele costuma fazer pelo menos quatro aplicações por dia: uma basal e três bolus, no café da manhã, almoço e jantar. Se passar a usar a inalável, ele diminuiria de quatro aplicações diárias para uma aplicação. Seria um ganho de qualidade de vida, mas não substituiria totalmente a injetável", diz a médica.

Os médicos explicam que pacientes com problemas pulmonares não poderão utilizar o Afrezza por duas razões: a absorção pelo pulmão pode não ser a adequada e o produto pode causar crises de asma. Estão incluídos na contraindicação pacientes com asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e fibrose pulmonar, além de fumantes. No caso de menores de 18 anos, a Afrezza é contraindicada porque o produto não foi estudado em pacientes desta faixa etária.

Outra limitação da insulina inalável é a baixa variedade de dosagens disponíveis. A Afrezza chega ao mercado em três apresentações: 4, 8 ou 12 unidades, enquanto as insulinas injetáveis são oferecidas em doses de 1 unidade, o que permite maior combinação e personalização.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.