ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

Integração de centrais na capital ainda não começou

Há seis meses, Justiça exigiu fusão de Samu com resgate estadual em 30 dias; processo leva mais tempo, diz gestão paulista

Luiz Fernando Toledo e José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

23 Março 2017 | 03h00

A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) ainda não iniciou a integração na capital paulista entre os canais de atendimento a emergências do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), municipal, e do Grupo de Resgate e Atendimento a Urgências (Grau), estadual. Seis meses após decisão judicial obrigar o Estado a começar a “interação entre os serviços”, ainda não há data definida para a mudança. A decisão, dada em setembro, dava prazo de 30 dias para iniciar a integração.

Isso foi pedido após o Ministério Público apontar que, sem nunca ter recebido repasse estadual, o Samu paulistano deixava de atender 41% das ocorrências recebidas. Portaria do Ministério da Saúde indica que o financiamento do serviço deve ser compartilhado por União (50%); Estado (25%); e município (25%). Mas o governo diz que não faz o repasse por oferecer serviço semelhante. A partir disso, foi exigida a fusão.

O diretor do Grau Jorge Ribera criticou o prazo dado para a fusão. “É como falar que tenho que construir um prédio em 30 dias. Isso não existe.” A proposta inicial do governo é unificar as centrais de atendimento telefônico 192 e 193 e o processo de despacho (envio das viaturas) em um só local, que, segundo o dirigente, deve ser o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). . Desde janeiro, grupos de trabalho discutem o tema. A proposta é que Samu e Grau sigam com sistemas próprios, mas com diálogo maior para evitar duas viaturas em uma ocorrência. 

"Há uma série de diferenças, ainda que sutis, que devem ser identificadas para não começarmos (a integração) como uma coisa extremamente cara e não resolutiva", diz o dirigente. Ele destaca que há grupos de trabalho que, desde janeiro, discutem como organizar as diferenças de produção entre os dois serviços e também as modificações operacionais com os sistemas de tecnologia e telefonia. Até agora, no entanto, não ficou decidido nem quantos operadores deverão atuar no novo sistema integrado.

"O cidadão liga hoje para o 192, 193, 190 e, no fim, chega num mesmo local o carro da polícia, do resgate e do Samu. Enquanto isso outro há outro cidadão chamando e, com isto, o tempo de chegada aumenta. Quando unificarmos a central, diminui essa duplicidade", explica. A expectativa é de uma redução de até 30% da demanda com a mudança.

Ribera ainda justifica a demora dizendo que faltou interesse da gestão Fernando Haddad (PT). "Não senti uma oposição por ser de outro partido, mas ninguém faz um 'upgrade' na casa quando está saindo dela. Não houve má vontade, é questão do momento em que essa mudança foi suscitada", Procurada, a equipe petista disse que não pôs empecilho para discutir e aguardou retorno de agendas com o Estado. Procurada, a gestão João Doria (PSDB) diz ter posicionamento igual ao do governo do Estado. Sobre Sorocaba, o governo estadual afirma ter iniciado o processo de integração. No momento, diz, estão sendo definidos novos fluxos de regulação.

Justiça. O governo do Estado ainda não respondeu oficialmente ao Ministério Público Estadual que ações tomou para cumprimento da decisão judicial que pedia a integração. A promotora da Saúde Pública Dora Martin Strilicherk, responsável pela ação, disse ao Estado que o atendimento deficitário "em nada foi alterado". "A promotoria aguarda a manifestação do juízo e espera que a alardeada cooperação entre Estado e município na saúde mostre efetividade no caso Samu", disse.

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