GABRIELA BILO / ESTADAO
GABRIELA BILO / ESTADAO

Inteligência artificial será usada para mapear risco de câncer de pulmão

Software será usado pela 1ª vez no Brasil, em parceria entre o Hospital Sírio-Libanês e a Siemens; iniciativa prevê varredura em 4 mil laudos de tomografias de tórax por mês, em busca de nódulos. É o terceiro centro médico no mundo a utilizar a tecnologia

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2018 | 03h00

SÃO PAULO - Pela primeira vez no Brasil, um software de inteligência artificial será capaz de mapear nódulos pulmonares em exames de rotina e revelar aos médicos quais pacientes têm maior risco de desenvolver câncer de pulmão, um dos tipos de tumor mais letais.

Anunciado na semana passada, o projeto é uma parceria entre o Hospital Sírio-Libanês e a Siemens Healthineers. As duas instituições firmaram um acordo de cooperação de dois anos que prevê uma varredura em laudos de tomografias do tórax de pacientes do hospital com o objetivo de identificar nódulos achados incidentalmente.

+ Incor vence crise, paga dívida de R$ 464 milhões e reafirma excelência

“Imagine uma situação em que o paciente faz um exame de rotina ou vai a um pronto-socorro por uma tosse, buscando outra doença, e é descoberto naquele exame um nódulo no pulmão. Pode acontecer que, depois de resolvido o problema que o levou ao hospital, ele não faça o acompanhamento desse nódulo e ele evolua para um câncer. É isso que queremos evitar”, explica Armando Lopes, diretor da Siemens Healthineers no Brasil.

Mas como nem todos os nódulos evoluem para lesões malignas, o software está sendo “treinado” para identificar somente aqueles casos com maior risco, em um processo chamado de machine learning (aprendizado de máquina). “Nessa parceria, estamos definindo critérios para ensinar o software a apontar somente os nódulos com maior chance de malignidade”, explica Cesar Nomura, um dos diretores da área de Medicina Diagnóstica do Sírio-Libanês.

O especialista diz que, para que a máquina identifique só os casos suspeitos, ela vai avaliar tanto informações do nódulo, como o tamanho e suas características, quanto dados do paciente, como histórico de tabagismo ou de câncer na família. Com base na identificação dos casos suspeitos, a equipe vai receber constantemente avisos do software, indicando a necessidade de seguimento dos pacientes, que, por sua vez, serão informados por e-mail ou telefone caso não estejam fazendo o acompanhamento.

Inicialmente, o sistema vai avaliar cerca de 4 mil tomografias de tórax por mês, mas, futuramente, a mesma tecnologia deverá ser usada para identificar outras doenças, como problemas cardíacos ou tumores de próstata, segundo Nomura.

Uso ampliado. O Sírio-Libanês é o terceiro hospital no mundo a utilizar o software, batizado de Proactive Follow-up. Somente dois hospitais americanos já testaram o programa.

A ideia, diz a Siemens Healthineers, é de que a experiência traga benefícios para a saúde pública ao criar estatísticas sobre quais tipos de nódulos têm maior risco de ser malignos. 

“O câncer de pulmão é um dos que mais mata e uma das razões para isso é o fato de ele ser assintomático, geralmente detectado em estágios avançados. Ao antecipar o diagnóstico, poderíamos salvar vidas e economizar em tratamentos”, explica Robson Miguel, gerente da divisão de soluções digitais da empresa. Finalizada a etapa de “treinamento” da máquina, os exames começarão a ser analisados, o que deve ocorrer em até três meses.

Novo teste rastreia mudanças genéticas

A inteligência artificial também começou a ser usada de maneira inédita em outro serviço de saúde brasileiro. Ontem, o Grupo Fleury passou a ser a primeira instituição da América Latina a oferecer um exame diagnóstico cujo laudo é emitido com o auxílio da computação cognitiva.

Batizado de Oncofoco, o teste, desenvolvido em parceria com a IBM, mapeia alterações genéticas nos tumores de pacientes que não responderam ao tratamento padrão. “A partir do mapeamento dessas alterações genéticas, o software busca todos os estudos existentes no mundo e indica, no laudo, qual tratamento tem evidências de maior eficácia. É um exemplo de medicina personalizada”, explica Edgar Rizzatti, diretor médico, técnico e de processos do Fleury.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.