ARI FERREIRA | ESTADAO CONTEUDO
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Internação à força piorou situação

Rapaz passou um ano e meio internado compulsoriamente após a mãe solicitar sua hospitalização à Justiça; quando recaiu, passou a prostituir-se para comprar crack

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2017 | 16h55

Enquanto para Prefeitura e alguns especialistas a internação compulsória é a única chance de salvação para dependentes químicos com quadros mais graves, para o cabeleireiro R.C., de 33 anos, ela foi a responsável pelo agravamento do seu vício em crack.

Integrante de uma família de classe média moradora da zona norte de São Paulo, o rapaz passou um ano e meio internado à força após a mãe solicitar sua hospitalização à Justiça. “Eu entendo o lado dela. Estava desesperada, vendo que eu podia ser um risco para minha própria vida, mas aquele tratamento não me ajudou. Saí da clínica em um dia e no dia seguinte eu estava usando droga de novo”, conta.

O cabeleireiro saiu do hospital em 2009. Com o agravamento da dependência nos anos seguintes, passou a prostituir-se para comprar a droga. “Eu usava (crack) para me prostituir e me prostituía para poder usar”, conta ele.

Ao longo do tempo, foi se submetendo a práticas cada vez mais degradantes. “Eu fazia ponto na região do Largo do Arouche, pertinho da Cracolândia. No primeiro programa da noite, eu cobrava R$ 100. Quando chegava no fim, eu aceitava qualquer dinheiro que desse para comprar uma pedra”, afirma.

Em 2015, ele decidiu se internar voluntariamente pela primeira vez. “Fiquei dois meses na comunidade terapêutica, fiz curso, tirei meu diploma de cabeleireiro e saí do meio da prostituição”, relata.

Meses depois, com um emprego em um grande salão da zona norte e em um relacionamento amoroso estável, R.C. diz ter minimizado os riscos do vício ao achar que tinha o controle da situação. “Achei que se eu já tinha conseguido conquistar tudo aquilo e ficar limpo por um tempo, eu ia conseguir usar só um pouquinho sem nenhum problema, só nos dias que eu quisesse. Foi meu erro.”

Oportunidade. O rapaz voltou a usar drogas exageradamente, foi morar na Cracolândia no ano passado, até que, há um mês, decidiu se internar novamente. “Cansei de sofrer. Eu me acabei. Cheguei na clínica com 71 quilos. Estava muito magro. Em poucos dias, já estou com 80 quilos. É uma nova oportunidade para mim.” / F.C.

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