Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Internação por gripe grave será critério para testar contaminação pelo novo coronavírus

Ministério da Saúde vai realizar testes independentemente de haver histórico de viagem internacional. Pasta também decidiu convocar mais 5 mil profissionais pelo Mais Médicos para reforçar assistência

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2020 | 20h16
Atualizado 09 de março de 2020 | 22h46

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira, 9, que vai passar a realizar testes para o novo coronavírus em todas as pessoas que forem internadas com quadro de gripe grave. Também passarão a ser realizados testes em pacientes que apresentarem resultado negativo para gripe comum ou outros tipos de vírus em unidades de atendimento básico no município que já confirmou pelo menos um caso. A pasta informou também que lançará um chamamento para cerca de 5 mil profissionais pelo programa Mais Médicos "para reforçar a capacidade de assistência em saúde durante a emergência". 

A novidade é que os testes serão feitos independentemente de haver histórico de viagem internacional, como era feito anteriormente. As amostras serão avaliadas de forma retroativa, do dia 1º de março em diante.

Dos 25 casos confirmados no Brasil pela pasta até esta segunda, quatro deles ocorreram por meio de transmissão local, ou seja, por contato com pessoas que tiveram a confirmação de contágio pelo coronavírus. Os outros 21 casos são de pessoas que estiveram no exterior. São Paulo e Bahia foram os dois Estados que registraram pessoas infectadas por transmissão local.

A média de idade  dessas pessoas é de 40 anos, sendo que a mais jovem é uma adolescente de 13 anos e a mais velha tem 69 anos. São 10 homens e 15 mulheres e, do total, 4 pessoas estão ou já foram hospitalizadas, segundo o ministério. Dos casos confirmados no País, três indivíduos têm hipertensão, um tem diabete e um tem doença pulmonar. A pasta avalia quatro pessoas que tiveram contato com casos suspeitos.

Novos critérios

Segundo o Ministério da Saúde, casos graves de gripe serão considerados a partir de uma possível internação hospital. Normalmente, são aqueles que apresentam dificuldade respiratória, pontas dos dedos azuladas, entre outros sintomas. Nessas situações, os testes poderão ser realizados em qualquer hospital.

Nos casos que não forem considerados graves, os testes serão realizados a partir das chamadas unidades sentinelas, que são centros de atendimento que possuem pronto-socorro para síndromes gripais. Há 114 no Brasil atualmente, de acordo com a pasta.

Outra medida anunciada pelo governo hoje é ampliar o horário de atendimento do programa Saúde na Hora 2.0, voltado para serviços de atenção primária da população. A ideia é garantir aumento no atendimento de unidades de 40 para 60 horas semanais. O governo federal também promete pagamento adicional de R$ 15 mil por unidade. A medida depende da adesão das prefeituras.

Casos de coronavírus no Brasil

O Ministério da Saúde informou que o número de casos confirmados do novo coronavírus no País permaneceu em 25 deste domingo para esta segunda. Não entrou na contabilização da pasta os cinco novos casos anunciados pela Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, que elevou o número de infectados de três para oito.

Enquanto isso, o número de casos suspeitos aumentou 40% deste domingo para hoje, passando de 663 para 930. Outros 53 casos foram descartados entre domingo e segunda-feira, totalizando 685 pessoas que foram testadas, mas não apresentaram resultado positivo para o Covid-19 no Brasil.

Neste domingo, Alagoas e Minas Gerais passaram a integrar a lista de Estados com a presença do vírus. Com o registro, agora são 16 casos em São Paulo, três no Rio de Janeiro, um no Espírito Santo, dois casos na Bahia, um no Distrito Federal, um em Alagoas e um em Minas Gerais.

Conforme anunciado na última sexta-feira, 6, o ministério vai passar a monitorar regiões do mundo como de risco para o novo coronavírus. Pessoas vindas de qualquer país da América do Norte, da Europa e da Ásia que apresentem sintomas respiratórios serão avaliadas. A pasta monitora ainda três países específicos: Argélia, Austrália e Equador.

Reforço do Mais Médicos

O Ministério divulgou que capitais e grandes centros urbanos voltarão a participar do Mais Médicos, que até então vinha priorizando somente municípios de maior vulnerabilidade. "A medida é em razão de serem locais com maior concentração de pessoas, o que ajuda a ampliar a circulação do coronavírus", declarou a pasta em nota.

“A reposição de profissionais do Mais Médicos visa reforçar o atendimento nos postos de saúde, evitando a superlotação de hospitais e Unidade de Pronto Atendimento (UPAs) em um cenário de grande circulação do coronavírus no país. Os profissionais que aderirem ao programa, pelo novo edital, farão atendimento geral à população junto às equipes de Saúde da Família, principal porta de entrada do SUS”, informou o secretário-executivo, João Gabbardo. /COLABOROU LUDIMILA HONORATO

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