'Intervenção breve' reduz risco de dependência de álcool em 72% dos casos, diz Unifesp

Técnica de tratamento em curto prazo é dirigida para quem faz uso nocivo de álcool e outras drogas

estadão.com.br

11 de agosto de 2010 | 17h49

SÃO PAULO - Um estudo inédito desenvolvido pela Unidade de Dependência de Drogas ligada ao Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que a intervenção breve é capaz de diminuir os problemas associados ao uso de álcool em 72% dos casos. Essa redução foi, no mínimo, duas vezes maior, se comparada à observada nos pacientes que responderam apenas ao questionário de triagem e receberam um feedback simples (33,8%).

Foram avaliados 4.335 pacientes, dos quais 208 foram considerados usuários de álcool em nível de risco à saúde. Eles foram atendidos em Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos Programas de Saúde da Família (PSF) e nos Centros de Tratamento de DST/Aids da Unifesp e do governo de São Paulo.

Os funcionários que aplicaram a técnica foram treinados para usar o Assist(questionário de triagem de álcool, tabaco e outras substâncias criado por pesquisadores da Organização Mundial da Saúde), que classifica o nível de risco do uso de álcool e outras drogas, seguido pela intervenção breve para os casos de uso abusivo.

A intervenção breve é uma técnica de tratamento em curto prazo, ou seja, de orientação breve e focal, dirigida às pessoas que fazem uso nocivo de álcool e outras drogas, em níveis que podem causar riscos à saúde ou à vida social, mas que ainda não desenvolveram dependência.

Aplicada por profissionais capacitados que atuam nas UBS e PFS, a intervenção trabalha a autoestima do paciente e, paralelamente, usa estratégias que ajudam no desenvolvimento de métodos, pelo usuário, para atingir a abstinência total ou moderada.

"Mostramos a necessidade de a pessoa se cuidar agora, antes que ela se torne dependente. Para isso, no primeiro atendimento é firmado um compromisso para que ela compareça a uma próxima entrevista, na qual se reaplica o instrumento de triagem para que o resultado da intervenção possa ser medido", afirma Vânia Vianna, psicóloga e pesquisadora da unidade.

De acordo com a especialista, a técnica ainda tem outras vantagens, como rapidez na aplicação da intervenção - que dura em média de 30 a 40 minutos -, facilidade de ser feita por qualquer profissional da área da saúde (desde que treinado adequadamente) e não utilização de medicação farmacológica para o tratamento.

Os resultados confirmam que uma única sessão de intervenção breve dirigida aos usuários de risco é efetiva na redução do consumo e dos problemas associados ao consumo de álcool. "Os resultados das pesquisas comprovam que a técnica é barata, efetiva e demanda pouco recurso para ser desenvolvida", diz a professora Maria Lucia Formigoni, do Departamento de Psicobiologia da Unifesp e principal pesquisadora do estudo.

O trabalho faz parte de um levantamento multicêntrico, envolvendo pesquisadores de outros Estados (Pará e Minas Gerais), dos EUA, Austrália e Índia, com apoio da OMS. Com base no sucesso das primeiras fases do projeto, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) patrocinou os cursos de extensão da Unifesp, realizados por meio de educação à distância, que foram coordenados pelas professoras Maria Lúcia Formigoni, Denise de Micheli (Departamento de Psicobiologia) e Monica Parente Ramos (Departamento de Informática em Saúde).

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