Divulgação/Governo de São Paulo
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'Invadir hospital é crime', diz Doria em recado a bolsonaristas

Governador diz que polícia vai atuar caso deputados ou outras pessoas tentem entrar em centros médicos, como sugeriu o presidente na semana passada

Bruno Ribeiro e Marina Aragão, O Estado de S. Paulo

15 de junho de 2020 | 13h58

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou na tarde desta segunda-feira, 15, que pessoas que invadirem hospitais públicos vão responder criminalmente pelas ações. Ele fez o aviso após um episódio que ocorreu na capital na semana passada, e de depois de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sugerir para seus apoiadores, na quinta-feira, 11, que invadissem hospitais que atendem pacientes com coronavírus para tentar achar e filmar leitos vazios.

Doria disse que os deputados estaduais Coronel Telhada (PP), Adriana Borgo (Pros), Marcio Nakashima (PDT), Leticia Aguiar (PSL) e Sargento Neri (Avante), que promoveram a invasão no Hospital Municipal de Campanha do Anhembi, na semana passada, já estão respondendo processo pela invasão ocorrida na semana passada (os deputados tentaram entrar no hospital sem proteção em um dia em que o local tinha 407 pacientes internados, a maioria idosos).

Sem citar o nome do presidente, ele afirmou que a orientação para a invasão vinha de “figura da República”, e lamentou o episódio. “Quero dizer que invadir é crime e agredir é crime. Se houver qualquer outra tentativa de invasão de hospitais públicos, municipais ou estaduais, sejam ele de campanha, ou sejam eles de qualquer outra natureza, em São Paulo a Segurança Pública, sob liderança do general Campos, que aqui está, saberá agir”, disse Doria, citando o secretário da Segurança, João Campos. 

“E também faremos a criminalização desses invasores, sejam eles parlamentares ou não. A condição de parlamentar não dá livre acesso e não dá a um parlamentar a condição de desrespeitar a lei. Desrespeitar a doença e desrespeitar a medicina. Um mandato não dá impunidade. Se voltarem a tentar invadir, receberão o atendimento adequado como invasores. E repito, inclusive criminalmente”, completou.

O discurso de Bolsonaro pedindo para seus seguidores invadir hospitais para tentar mostrar que os leitos estão vazios e não existe uma pandemia em curso chocou Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Em sua conta no Twitter, ele escreveu: "Invadir hospitais é crime - estimular também. O Ministério Público (a PGR e os MPs Estaduais) devem atuar imediatamente. É vergonhoso - para não dizer ridículo - que agentes públicos se prestem a alimentar teorias da conspiração, colocando em risco a saúde pública", disse.

Quem também se manifestou foi o Conselho Nacional de Saúde (CNS), que em nota afirmou que o governo continua assumindo uma “atitude genocida” e se coloca como adversário da ciência. “Isso demonstra total desprezo pela vida da população”, comentou. Governadores do Nordeste também criticaram o presidente e o chamaram de “negacionista” por minimizar a pandemia do coronavírus e desconsiderar evidências científicas.

Já o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, defendeu o recado do pai em sua conta em uma rede social e disse que o discurso dele foi deturpado. "Só um bandido ou um doente mental para minimamente crer que o Presidente incentivou invasão a hospitais ao invés de entender que o citado foi para que cidadãos cumpram seu direito de fiscalizar os gastos públicos", justificou o vereador.

São Paulo divulgou os dados da pandemia de coronavírus nesta segunda-feira, 15, e apontou que 5.309 pessoas estão internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e 8.018 pessoas estão internadas em enfermarias, segundo dados do governo do Estado.

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