Ipanema tem trechos de areia imprópria, diz boletim do Rio

Qualidade das areias vem melhorando, mas ainda há áreas inadequadas, de acordo com a secretaria

Bruno Boghossian, da Agência Estado,

22 Fevereiro 2010 | 19h02

 Selo-Verao
RIO - A qualidade da areia de 14 praias do Rio melhorou, segundo o boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC), mas trechos populares entre cariocas e turistas - parte de Ipanema, Arpoador e Praia Vermelha, na zona sul - foram classificados como impróprios. No total, seis praias foram consideradas "não recomendadas", devido à alta concentração de coliformes e da bactéria Escherichia coli, que indicam a presença de lixo e fezes na areia.

 

Nesta segunda-feira, o cenário na praia de Ipanema era comum às tardes de verão no bairro: areia cheia, quiosques vendendo alimentos e bebidas, e pombos circulando entre banhistas, em busca de restos de comida.

 

A médica Aline Azevedo, de 25 anos, deitada sobre uma canga em um ponto não recomendado pela prefeitura, próximo à Rua Maria Quitéria, admitiu que não costuma verificar a qualidade da areia antes de sair de casa, mas procura tomar alguns cuidados. "Sei que já estou expondo meus pés ao risco, porque estou descalça, mas não sento direto na areia", explicou.

 

Já a praia do Flamengo, menos popular, recebeu a segunda melhor classificação da prefeitura (boa), mas era possível ver pombos circulando à procura de comida e um cão passeando com o dono, à tarde. A enfermeira Vanessa Costa, de 25 anos, se disse satisfeita com a limpeza da areia, mas criticou quem leva animais à praia. "Eu gosto de cachorros, mas nunca traria o meu para a areia", reclamou.

 

Homem passeia com o cachorro pela Praia do Flamengo, de areia considerada boa. Foto: Fábio Motta/AE

 

A pesquisadora Adriana Sotero Martins, do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), explicou que cães, ratos e pombos são os principais responsáveis pela contaminação das praias com a bactérias Escherichia coli, mas ressaltou que a ação dos banhistas, que deixam lixo e alimentos na areia, atrai esses animais. "O risco de se contrair uma doença na água é conhecido, mas na areia existe um risco similar", disse.

 

No Rio, trechos das praias da Bica, de Guanabara (ambas na Ilha do Governador, zona norte) e Central (Urca, zona sul) também receberam avaliações negativas e tiveram suas areias consideradas impróprias. De acordo com o boletim, nove praias receberam a melhor classificação (ótima), com menos de 10 mil coliformes por 100 gramas de areia. No boletim anterior, publicado no dia 2 de fevereiro, apenas dois pontos obtiveram essa avaliação.

 

A SMAC creditou a melhora à fiscalização da prefeitura contra a presença de cães nas praias.

 

Segundo a secretaria, o grande movimento em alguns trechos durante o verão não aumenta o risco de contaminação da areia. "As praias do Rio têm sido muito utilizadas nesse verão, até mesmo à noite, mas nós não consideramos isso um problema. O uso errado da praia é que faz mal", disse Vera Oliveira, gerente de monitoramento ambiental da SMAC.

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