EFE/Antonio Lacerda
EFE/Antonio Lacerda

Ipea: Isolamento social caiu em proporção maior à do relaxamento de medidas de distanciamento

Estudo foi realizado com base nos períodos de 23 a 27 de março e de 4 a 8 de maio

Mariana Durão, RIO

12 de maio de 2020 | 20h15

RIO - Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que o efeito das medidas legais de distanciamento social contra o novo coronavírus sobre o comportamento da população brasileira se reduziu a partir do final de março. O mapeamento indicou que o isolamento social caiu em proporção superior ao relaxamento do rigor dessas medidas. Os pesquisadores alertam que as políticas de distanciamento têm se tornado progressivamente descentralizadas, o que pode levar a uma saída desordenada e caótica da quarentena.

 

O Ipea analisou os períodos de 23 a 27 de março e de 4 a 8 de maio. Enquanto o rigor do índice de medidas legais de distanciamento adotadas por estados e municípios caiu 10%, o isolamento social caiu 20% na comparação entre os dois períodos.

Os dados indicam que outros fatores também influenciam o quanto as pessoas se mantêm em casa. A lista inclui o nível de conscientização da importância do isolamento; o quanto temem ser infectadas; como os governos cobram o cumprimento das medidas legais; e mesmo o clima ou tempo em uma determinada região.

O Ipea destaca que as medidas de distanciamento têm sido cada vez mais uma resposta à gravidade da epidemia, em lugar de uma medida preventiva que evitaria um cenário de contágio mais grave.

"A se manter esta tendência, é provável que estados e municípios com números menores de óbitos relaxem as medidas ou não ampliem o seu rigor, enquanto aqueles que possuem números mais elevados adotem ou mantenham medidas restritivas", diz o Ipea.

Segundo o Ipea, estados que relaxaram as medidas de isolamento (como Santa Catarina, Goiás e Minas Gerais), devem sofrer consequências econômicas menos severas no curto prazo. No entanto, caso as taxas de transmissão cresçam e o sistema de saúde seja sobrecarregado, esse benefício pode ser rapidamente perdido, alerta o estudo.

O estudo destaca a adoção de um formato descentralizado das políticas de distanciamento entre governos federal, estaduais e municipais.  Cada vez mais os estados delegam poder às prefeituras, o que amplia as chances de uma saída desordenada da quarenta, aponta o Ipea.

Os pesquisadores sugerem que a saída da quarentena deve seguir critérios objetivos e padronizados - levando em consideração taxas de transmissão do vírus, números de casos e de óbitos e disponibilidade de leitos de UTI, por exemplo - a fim de evitar um retorno desordenado.

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