REUTERS/Ammar Awad
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Israel vai monitorar celulares para conter avanço do coronavírus

Dados são normalmente usados para combater o terrorismo e exigira apoio parlamentar

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 12h20

JERUSALÉM - O governo de Israel começou a implementar nesta semana uma tecnologia de monitoramento de celulares para controlar a pandemia de coronavírus. As autoridades ainda emitiram diretrizes pedindo para que as pessoas não saiam de suas casas.

O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aprovou regulamentos de emergência que permitirão ao serviço de segurança interno acessar dados de celular para refazer os movimentos das pessoas infectadas pelo vírus.

Os dados são normalmente usados ​​para combater o terrorismo. Esse monitoramento cibernético normalmente exigiria ratificação parlamentar e supervisão judicial. Netanyahu, que anunciou a medida na segunda, contornou o processo invocando as ordens de emergência.

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O uso da tecnologia antiterrorista para rastrear pessoas infectadas e qualquer um com quem eles entraram em contato foi alvo de críticas quando Netanyahu. As autoridades israelenses disseram que o monitoramento cibernético, em vigor nas próximas duas semanas, visava apenas interromper a propagação do coronavírus. 

Além disso, o Ministério da Saúde publicou diretrizes para que as pessoas permaneçam em casa. Praias, parques, escolas, shoppings, restaurantes e teatros foram fechados ao público. Grupos de mais de dez pessoas não devem se reunir. 

O governo afirmou ainda que os israelenses podem trabalhar em equipes reduzidas para impedir a disseminação do vírus. "O contato entre as pessoas deve ser limitado e elas devem ficar a dois metros de distância", afirmou o ministério. Não ficou claro se a polícia aplicará punições mais rígidas para quem não seguir as regras.

A Associação para o Direito Civil em Israel chamou a regra de "um precedente perigoso e uma ladeira escorregadia". Gabi Ashkenazi, representante do Partido Azul e Branco, da oposição, também criticou o uso de ordens de emergência. "É inadequado aprovar essa medida dessa maneira, sem supervisão pública e parlamentar", escreveu ele no Twitter.

Existem 324 casos confirmados de coronavírus em Israel. Nos territórios palestinos, 41 foram confirmados na Cisjordânia ocupada, e nenhum na Faixa de Gaza. / Reuters 

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