Italiana é transferida para hospital onde ocorrerá eutanásia

Ativistas tentam deter ambulância; médico diz que Eluana, em estado vegetativo, 'morreu 17 anos atrás'

Associated Press,

03 Fevereiro 2009 | 15h22

Uma mulher que está no centro de um debate acirrado sobre o direito à morte foi transferida nesta terça-feira, 3, para o hospital onde será deixada para morrer, depois de 17 anos em estado vegetativo.   Papa diz que eutanásia é solução falsa para sofrimento Clínica não desligará aparelhos de italiana em estado vegetativo Italiana em coma pode ser transferida para realizar eutanásia Líder de Toscana pede que clínicas façam eutanásia de Eluana Hospitais se negam a fazer eutanásia autorizada na Itália Eutanásia de mulher que vegeta há 17 anos divide Itália   Ativistas contra a eutanásia levando pão e água - que se tornaram símbolos do protesto - assediaram os funcionários da ambulância que deslocaram Eluana Englaro, gritando "Não a matem".   A Igreja Católica e ativistas montaram uma campanha para impedir a eutanásia de Eluana, denunciando o que classificam como uma "execução". Outros dizem que o pai da mulher apenas busca lhe dar uma morte digna que ela mesma desejava.   A transferência da paciente reacendeu o debate nacional na Itália.   O caso Eluana atraiu comparações com o de Terri Schiavo, uma americana que se viu no centro de um debate sobre do direito de morrer até sua morte, em 2005. O marido de Terri prevaleceu numa batalha contra os pais da mulher, num embate que envolveu a Suprema Corte e o então presidente George W. Bush. Em 2007, o Vaticano se somou ao debate, denunciando a morte de Terri como "arbitrariamente apressada" e referindo-se á remoção do tubo que a alimentava uma violação dos princípios do cristianismo e da civilização.   Neste fim de semana, o papa Bento XVI disse que a eutanásia é uma "falsa solução" para a dor. Seu ministro da Saúde, cardeal Javier Lozano Barragan, disse ao jornal La Repubblica que a remoção do tubo alimentar de Eluana equivale "a um assassinato abominável, e a Igreja sempre dirá isso em alta voz".   Mas Beppino Englaro, pai de Eluana, tenta há mais de dez anos que a Justiça a autorize a morrer. Em novembro, recebeu uma sentença favorável do principal tribunal italiano, confirmando sentença de uma instância inferior - inédita neste país católico.   A sentença inicial, de um tribunal de Milão, dizia que estava provado que o coma de Englaro é irreversível, e que antes de sofrer o acidente ela havia manifestado a preferência por morrer a ser mantida artificialmente viva.   "Sinto que agora posso libertar a criatura mais esplêndida que já conheci", disse Beppino Englaro, que raramente fala em público, após a sentença. Eluana foi transferida de ambulância para a cidade de Údine na madrugada desta terça, disse o advogado da família, Vittorio Anglioni. Uma pequena multidão de ativistas assediou a ambulância aos gritos de "Eluana, acorde!", "Não a matem" e "Eluana está viva".   Ela está em estado vegetativo desde um acidente automobilístico em 1992, quando tinha 20 anos. Seu pai travou uma longa batalha jurídica para desconectar o tubo de alimentação, argumentando que  esse era o desejo dela. Um tribunal italiano concedeu a autorização meses atrás, desencadeando uma batalha no país de tradição católica.   O pai tentou transferi-la da clínica católica onde se encontrava, em Lecco, para Údine, mas o governo emitiu um decreto ordenando todos os hospitais públicos a garantir que pessoas em estado vegetativo recebessem garantias de cuidado. Isso fez com que pelo menos um hospital de Údine se recusasse a receber Eluana.   No fim, o hospital privado La Quiete concordou em acolhê-la.   Anglioni recusou-se a discutir quais medidas serão tomadas para pôr fim à vida de Eluana. O noticiário diz que o processo de desconectar o tubo de alimentação começará em poucos dias e levará semanas para se concluir.   Amato De Monte, um anestesista que acompanhou Eluana na ambulância, disse que ela está muito diferente da imagem juvenil que vem sendo divulgada na mídia. Ele defendeu a decisão da clínica de executar a retirada do tubo. Em entrevista a um programa de televisão, afirmou que "Eluana não vai sofrer porque Eluana morreu 17 anos atrás".   (Com Reuters)

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