Jatene lança coletânea de artigos publicados na imprensa

O cardiologista Adib Jatene, de 76 anos, acaba de lançar uma coletânea de artigos publicados nos principais veículos de comunicação do País, entre eles o jornal O Estado de S. Paulo e a revista Veja. O livro Medicina, Saúde e Sociedade (editora Atheneu, 208 págs., R$ 39), o primeiro não-científico de Jatene, é um panorama histórico da saúde brasileira dos últimos 20 anos. Nem poderia ser diferente para quem já ocupou três importantes cargos políticos na área de saúde - foi ministro de Fernando Collor (1992) e de Fernando Henrique Cardoso (1995) e secretário estadual de Paulo Maluf (1979-1982). "Nunca me meti em política. Só um pouco em administração", comenta. "Mas hoje sei que sou muito mais útil ao País no meio da elite." De fato, um dos maiores projetos do cardiologista foi concretizado no ano passado - a inauguração do Hospital Local Sapopemba, na zona leste de São Paulo - graças aos "amigos da elite". O empresário Antônio Ermírio de Moraes doou o concreto para a obra do hospital, a Papaiz deu as dobradiças e a Eucatex, as portas, o forro e o telhado. Além dos projetos sociais, outra bandeira defendida em artigos do livro é a formação do médico. No início da década de 80, quando ainda não se falava muito no assunto, Jatene já condenava o número exagerado de faculdades de Medicina no País. "Quando me formei, em 1953, eram 16 faculdades. Em 1986, tínhamos 82 faculdades de Medicina. Na época, graças a Deus conseguimos um decreto interministerial e o Brasil ficou praticamente dez anos sem um novo curso superior. Mas em 1995 eles voltaram a ser autorizados pelo governo e agora temos mais de 140 estabelecimentos. É muita coisa", analisa Jatene. "Só metade dos alunos consegue vaga em residências." A distribuição de leitos na capital é outro tema de artigos do livro. "A situação está cada vez pior. Na década de 80, São Paulo tinha 3,4 leitos por habitante. Hoje, são 2,8. O número diminuiu só nas regiões carentes." Jatene ainda homenageia Eurycledes de Jesus Zerbini, o pioneiro em transplante de coração na América Latina, seu professor. "Vim fazer Medicina em São Paulo (Faculdade de Medicina, da Universidade de São Paulo) para conseguir voltar um dia para o Acre, onde nasci", conta. Mas Zerbini acabou me chamando uma vez para acompanhar uma cirurgia. Depois me chamou outra e outra vez. E nunca mais voltei."

Agencia Estado,

11 de abril de 2006 | 10h03

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