Eies Antonelli/SECOM RR
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Jovem com sarampo enfrenta diagnóstico falho e isolamento

Imaginou-se até que Ingrid tinha zika; fora da rotina há anos, doença faz hospitais alertarem corpo clínico

Ana Paula Niederauer e Paula Felix, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2018 | 03h00

SÃO PAULO - Ingrid, de 21 anos, chegou ao hospital com dores no corpo e nos olhos, tosse, além de manchas vermelhas pelo rosto e pelo colo. Foi medicada com antitérmico e liberada para ir embora. Em quatro dias, voltou três vezes ao hospital e o diagnóstico foi de zika. Só bem depois ela descobriu a infecção por outro vírus que já ganhou a atenção do País: o sarampo. 

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Nos dias seguintes, os sintomas não sumiram. Moradora do Rio, ela decidiu ir para São Paulo em busca de ajuda da família. “Cheguei às 23 horas de 17 de junho no Aeroporto de Guarulhos e minha mãe já me levou direto ao Hospital São Luiz. Quando cheguei, os médicos perceberam a gravidade do caso e me internaram em leito de isolamento”, contou ela, aluna do 5.º semestre de Direito.

Na manhã do dia 18, os médicos pediram sorologia para sarampo. No dia 19, saiu o resultado positivo. “Imediatamente já fui transferida para um leito de isolamento total, onde só podia entrar minha mãe e profissionais da saúde imunes à doença. Depois de internada, no dia 20 tive alta e fiquei em isolamento em casa até o dia 30.” Até as roupas, lembra, eram especiais.

Eficácia. “Estou quase 100% curada. Tenho algumas manchas mais resistentes no rosto e no colo”, diz Ingrid. Segundo Andrea, mãe da estudante, a filha tomou as duas doses da vacina quando era criança, conforme o Calendário Nacional de Vacinação. “É uma vacina boa, com mais de 90% de eficácia”, explica o infectologista do Sabará Hospital Infantil, Francisco Ivanildo de Oliveira Júnior

Segundo Andrea, após o diagnóstico, a carteira de vacinação de Ingrid está com a Vigilância Epidemiológica de São Paulo. O órgão mapeou os locais por onde a jovem passou – do hospital ao prédio da mãe – para conter o avanço do vírus. A Universidade Federal do Rio (UFRJ), onde Ingrid estuda, diz ter seguido o protocolo, com oferta de vacina à comunidade local.

O Hospital Copa D’Or, unidade do Rio onde Ingrid teve os primeiros atendimentos, informou que eram “sintomas inespecíficos e o sarampo é ‘atípico’ na cidade. Já o Hospital São Luiz, de São Paulo, informou que ela foi “internada para investigação” e, após exames, diagnosticada.

Mobilização

Hospitais de São Paulo têm atualizado os médicos sobre o diagnóstico e o tratamento do sarampo. “A doença não é rotina há anos e parte do corpo clínico nunca viu esse quadro. A chance de o médico não pensar em sarampo é frequente, principalmente na fase inicial, quando os sintomas são semelhantes a outras doenças infecciosas nesta época do ano”, diz Filipe Piastrelli, infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. O Sírio-Libanês, o Sabará e o Beneficência Portuguesa também têm desenvolvido ações nesse sentido. 

Duas doses são recomendadas

- Como se pega o sarampo?

O paciente adquire a doença por partículas respiratórias e nem sempre quem transmite tem sintomas. 

- A vacina é eficaz?

A eficácia é de mais de 90% e a proteção plena vai ocorrer no prazo de 10 a 14 dias. 

- Qualquer um pode tomar?

Não é recomendada a gestantes, bebês com menos de 1 ano e pacientes imunodeprimidos. 

- Quantas são as doses? 

Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde recomendam duas durante a vida. No Brasil, são aplicadas com 12 e 15 meses de vida. Caso só tenha tomado uma, deve-se tomar a segunda até 29 anos.

- E se não tomei a vacina?

Só será preciso uma dose entre os 30 e os 49 anos. Se a pessoa não sabe se foi imunizada, deve tomar. 

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