Jovens que enviam muito SMS são mais propensos a sexo, álcool e drogas

Universidade de Cleveland (EUA) avaliou 4.200 estudantes de 20 escolas públicas em 2009

AP

09 Novembro 2010 | 17h27

ATLANTA - Adolescentes que mandam mensagens de texto por celular 120 vezes ou mais por dia são mais propensos a fazer sexo (3,5 vezes), consumir álcool e drogas, envolver-se em brigas e usar remédios sem receita médica, em comparação com jovens que não enviam tantos SMS.

O resultado é de uma pesquisa realizada pela faculdade de medicina da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland, Estados Unidos, em 20 escolas públicas da cidade no ano passado. O trabalho se baseou em levantamentos confidenciais com mais de 4.200 estudantes e foi apresentado nesta terça-feira, 9, em reunião da Associação Americana de Saúde Pública, em Denver.

Os autores não sugerem que escrever torpedos demais conduza ao álcool, às drogas ou ao sexo, mas acham impressionante ter encontrado uma relação aparente entre o excesso de mensagens e esse tipo de comportamento de risco.

O estudo conclui que um número significativo de adolescentes é muito suscetível à pressão dos colegas e também tem pais permissivos ou ausentes, de acordo com o Dr. Scott Frank, responsável pelo levantamento e professor associado de epidemiologia e bioestatística da universidade. "Se os pais estão monitorando a rede social e de SMS dos filhos, provavelmente também acompanham outras atividades deles", avaliou.

A pesquisa constatou que um em cada cinco alunos era compulsivo por SMS, e um em nove era "viciado" em redes sociais - passava três ou mais horas por dia no Facebook e em outros sites de relacionamento. Cerca de 25% do total se enquadrou nas duas categorias.

O excesso de tempo gasto com mensagens de texto e redes sociais é mais comum entre meninas, minorias (negros, latinos, obesos), crianças cujos pais têm menos instrução e filhos de mãe solteira, aponta o estudo - um dos primeiros a olhar para SMS e redes sociais e ver uma ligação entre eles e as relações sexuais e outros comportamentos de risco da atualidade.

"O trabalho demonstra que essa é uma pergunta legítima a ser explorada", afirmou Douglas Gentile, que dirige o Laboratório de Pesquisa de Mídia na Universidade Estadual de Iowa.

Segundo a Fundação Kaiser Family, metade das crianças com idade entre 8 e 18 anos envia mensagens de texto por celular. A média de SMS é de 118 por dia. Além disso, apenas 14% revelaram que os pais impõem limites para os torpedos.

Outros estudos relacionaram as mensagens a comportamentos de risco ou lascivos. O Centro Pew Research, em Washington, apontou que um terço dos jovens entre 16 e 17 anos envia SMS enquanto estão dirigindo. Já um levantamento do canal de música MTV com a agência de notícias Associated Press descobriu que um quarto dos adolescentes tem compartilhado fotos e vídeos de sexo explícito, além de conversar sobre o assunto por telefone ou online.

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