Jurados se reúnem para responder perguntas da defesa e da promotoria em Taubaté

Até o início da noite desta quinta-feira ainda não havia decisão sobre o caso

Fernanda Bassette e João Carlos de Faria,

20 de outubro de 2011 | 19h33

Após quatro dias de julgamento e cerca de 40 horas de debates, está nas mãos dos jurados a condenação ou absolvição dos três médicos acusados de terem retirado os rins de pacientes ainda vivos para usá-los em transplantes particulares em Taubaté.

 

O caso aconteceu na década de 1980 e ficou conhecido como "caso Kalume" em referência ao médico Roosevelt Sá Kalume, autor das denúncias e diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Taubaté na época.

 

Estão no banco dos réus os médicos Mariano Fiore Junior, Rui Noronha Sacramento e Pedro Henrique Masjuan Torrecillas.

 

Desde às 15h40, os sete jurados - sendo quatro mulheres e três homens - estão reunidos na sala secreta para responder às 60 perguntas formuladas pela promotoria e pela defesa: 20 para cada um dos réus.

 

A primeira delas questiona se as vítimas foram submetidas à extração dos rins sem a efetiva constatação de morte encefálica. Caso os jurados respondam "não", é considerado absolvição. Caso prevaleça o "sim", o juiz fará a pergunta seguinte.

 

No intervalo após o fim dos debates e o tempo que os jurados ficaram na sala secreta, o clima entre os réus, familiares e amigos era de tranquilidade. Eles circulavam pelo saguão do fórum rindo e conversando descontraidamente.

 

Na parte da manhã, o promotor Márcio Augusto Frigi de Carvalho apresentou os argumentos pedindo a condenação dos réus baseado na tese de que os rins dos pacientes foram retirados quando eles ainda estavam vivos. Para o promotor, existia uma "central de captação" de rins na cidade, que seriam levados para a capital para usá-los em transplantes particulares.

 

À tarde, o advogado Sérgio Salgado Badaró usou suas duas horas para expor aos jurados as razões para a absolvição dos réus. "O promotor diz que não há prova segura de que os pacientes estavam em morte encefálica. Mas há alguma prova de que estavam vivos?", disse Badaró, que sustentou toda a defesa no argumento de que a promotoria não conseguiu provar que os pacientes estavam vivos.

 

"Se vocês os condenarem, vocês serão o primeiro júri do Brasil em que os jurados condenaram médicos por matar gente que já estava morta", afirmou.

 

Até às 19h desta quinta-feira, 20, ainda não havia decisão sobre o caso. Segundo o promotor, mesmo que os médicos sejam condenados, eles não devem ser presos porque são réus primários.

Tudo o que sabemos sobre:
rinsTaubatétransplantes

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.