Estadão
Estadão

Justiça de SP volta atrás e libera substância contra câncer

TJ-SP havia negado a distribuição do remédio em 29 de setembro, o que levou uma paciente a recorrer ao Supremo Tribunal Federal

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2015 | 20h10

SÃO PAULO - O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) voltou atrás nesta sexta-feira, 9, e decidiu liberar a portadores de câncer a entrega da substância fosfoetanolamina sintética. O TJ-SP havia negado a distribuição do remédio no dia 29 de setembro, o que levou uma paciente a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na quinta-feira, 8, o STF decidiu a favor da paciente e liberou a droga.

A fosfoetanolamina está envolta em polêmica porque sua eficácia não é comprovada. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) diz que é necessária a avaliação de ensaios clínicos antes de qualquer medicamento ser disponibilizado para uso no Brasil e, no caso dessa substância, a agência afirma não ter recebido qualquer pedido de avaliação para registro.

O desembargador José Renato Nalini, na decisão do TJ-SP, destaca que “caberá à Universidade de São Paulo (responsável pela produção da substância) e à Fazenda do Estado, para garantia da publicidade e regularidade do processo de pesquisa, alertar os interessados da inexistência de registros oficiais da eficácia da substância”.

Nalini afirma que “a substância pedida não é medicamento - já que assim não está registrada. Não se trata tampouco de droga regularmente comercializada, mas de um experimento da USP. É certo que a própria universidade teve o cuidado de informar que não há como orientar o uso do composto químico e que a ingestão tem sido feita por conta e risco dos pacientes". Para liberar o uso, no entanto, o desembargador argumenta que "não se podem ignorar os relatos de pacientes que apontam melhora no quadro clínico."

"Conquanto legalidade e saúde sejam ambos princípios igualmente fundamentais, na atual circunstância, o maior risco de perecimento é mesmo o da garantia à saúde. Por essa linha de raciocínio, que deve ter sido também a que conduziu a decisão do STF, é possível a liberação da entrega da substância”, afirma Nalini.

Estudos. A suposta eficácia da fosfoetanolamina contra o câncer vem sendo discutida há vinte anos, desde que uma formulação foi desenvolvida e testada pela equipe do pesquisador Gilberto Orivaldo Chierice, ex-professor da USP, no início dos anos 90. Durante mais de uma década, a ela foi distribuída gratuitamente.

Em 2014, uma portaria do Instituto de Química da USP São Carlos suspendeu a entrega de substâncias experimentais sem registro na Anvisa. Pacientes foram à justiça e conseguiram liminares para manter o tratamento, mas o TJ-SP havia derrubado as decisões em setembro.

Mais conteúdo sobre:
saúde câncer fosfoetanolamina

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.