Laboratório da Marinha dobra a produção de remédios

Criado em 14 de novembro de 1906, o hoje centenário Laboratório Farmacêutico da Marinha, no Rio, tem agora um novo parque fabril, que vai permitir um salto na sua capacidade de produção, de 170 milhões para 300 milhões de unidades dos mais variados tipos de medicamentos. Inaugurada ontem, na presença do ministro da Saúde, Agenor Álvares, a instituição é a única do setor público no País que produz mefloquina e ofloxacino, usados, respectivamente, para prevenção e tratamento da malária e em pacientes com hanseníase. A produção, além de atender às organizações militares e hospitais navais, é destinada aos programas nacionais do Ministério, que investiu cerca de R$ 19 milhões nas novas instalações da instituição. Segundo o ministro, a modernização do parque faz parte de uma política do governo federal para ampliar o acesso da população aos medicamentos. Outro laboratório das Forças Armadas, o da Aeronáutica, também passa por melhorias. "Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que 55% das pessoas que necessitam de tratamento não podem arcar com os custos dos medicamentos prescritos", ressaltou Álvares, durante a solenidade, em Benfica, zona norte, acrescentando que 80% da demanda do governo federal é atendida pelos nove laboratórios oficiais, que consomem apenas 20% dos gastos federais com a compra de medicamentos. Nos laboratórios oficiais, o preço de custo, em geral, é bem menor do que o praticado no setor privado. Diretor do laboratório, o capitão-de-mar e guerra Walter Lucas da Silva, afirmou que os medicamentos serão produzidos a preços muito mais baixos que os encontrados no mercado. No momento, a unidade produz apenas medicamentos similares, ou seja, os que têm o mesmo princípio ativo do produto original, porém, não têm a bioequivalência comprovada. Esta, por sua vez, é o que assegura se a eficácia clínica e a segurança do medicamento são iguais ao do produto de marca. "Daqui a pouco tempo, nós vamos estar produzido os genéricos (que têm a bioequivalência). É questão de tempo e de adequação", frisou o comandante, explicando que, em breve, o laboratório vai receber o Certificado de Boas Práticas de Fabricação. Ele afirmou também que é possível produzir para exportação. "A gente só não vende mais porque não fabrica mais."

Agencia Estado,

14 de novembro de 2006 | 11h15

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