Lançamento da nave Soyuz é adiado em pelo menos 24 horas

A bordo da nave, quando lançada, viajarão os dois primeiros satélites europeus da rede europeia de geolocalização Galileu

Efe e Reuters

20 de outubro de 2011 | 07h57

 

KOUROU, Guiana Francesa - O lançamento de um foguete Soyuz com os dois primeiros satélites do sistema de navegação Galileu foi adiado nesta quinta-feira em pelo menos 24 horas, informou a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês). Uma nova tentativa de lançamento será realizada nesta sexta-feira, 21, às 8h30 (Horário de Brasilia)

 

Trata-se de um cancelamento de última hora decidido pelos responsáveis do Soyuz, depois que na reunião técnica prévia organizada durante a madrugada na base de lançamentos de Kourou, na Guiana Francesa, o lançamento fora aprovado para as 8h34 de Brasília.

 

"O problema não ocorreu no Soyuz, mas nos sistemas em Terra", explicou à imprensa em Kourou, na Guiana Francesa, o presidente de Arianespace, Jean-Yves Le Gall. O adiamento foi decidido depois da detecção de uma anomalia durante o abastecimento de combustível do foguete Soyuz, segundo a ESA.

 

O sistema automático em Terra que controla os conectores emitiu um alerta ao registrar uma "redução da pressão" inesperada, revelou Gall, quem explicou que os responsáveis do lançamento decidiram "esvaziar os tanques e substituir a válvula" com defeito.

 

"É preciso ver se é possível substituir essa válvula e se nossas equipes, que passaram a última noite em claro, têm condições de se organizar para uma segunda noite insone", detalhou Gall, visivelmente contrariado com a situação.

 

O cancelamento foi decidido de última hora pelos responsáveis da Soyuz, depois de uma reunião técnica prévia organizada nesta mesma madrugada na base de lançamentos de Kourou.

 

"Decidimos às 2h30 no horário local (5h30 de Brasília) encher os foguetes Soyuz. Ao fim da terceira fase detectamos falhas em dois conectores que permitem essa operação", explicou Gall.

 

Arianespace insistiu em que tanto o foguete quanto os dois satélites Galileu ficaram "em condições de máxima segurança".

 

Os responsáveis presentes no Centro Espacial Europeu da Guiana francesa tinham previsto dar mais explicações sobre o incidente nesta manhã. Arianespace avançou que nesta quinta-feira anunciará uma nova data de lançamento.

 

Soyuz. As naves Soyuz voam desde 1966, e são mais antigas até mesmo que os primeiros mísseis balísticos intercontinentais da Guerra Fria. Mas esta é a primeira vez que ela será lançada de fora do território da ex-União Soviética.

 

A bordo da nave, quando lançada, viajarão os dois primeiros satélites europeus da rede europeia de geolocalização Galileu.

 

No final da década, quando estiver plenamente operacional, esse sistema dará autonomia aos europeus em relação ao sistema GPS, que é norte-americano. A Rússia diz que concluiu no começo deste mês um sistema semelhante.

 

O foguete russo foi adaptado para permitir que a empresa europeia de lançamentos Arianespace, que opera o "mamute" Ariane-5, leve para órbita uma carga considerada média, de 3,2 toneladas.

 

A Rússia deve receber dezenas de milhões de dólares por cada lançamento, dinheiro que ajudará a financiar suas atividades espaciais. Ao mesmo tempo, a presença dos foguetes russos na base espacial europeia de Kourou, perto do Equador, ajudará a Arianespace a reduzir custos. 

 

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