Legado da gripe espanhola
Conteúdo Patrocinado

Legado da gripe espanhola

Vacina começou a ser desenvolvida nos anos 1930

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo
Conteúdo de responsabilidade do anunciante

10 de maio de 2021 | 07h00

A vacina contra a gripe existe desde os anos 1930, mas a doença ainda mata cerca de 600 mil pessoas por ano em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para reduzir os impactos do vírus, o Brasil realiza anualmente uma campanha de vacinação contra a gripe desde 1999. 

Mais complexa que um resfriado, a gripe é um problema grave de saúde pública porque atinge milhões de pessoas por ano globalmente, em especial nos períodos mais frios e secos. “A doença se associa a cerca de 1 milhão de casos de pneumonia, que pode levar a hospitalização e morte”, explica Enio Pedroso, professor da Faculdade de Medicina da UFMG. Hoje, a pneumonia é a quinta causa mais importante de morte do ser humano.

Os números dão a dimensão do impacto social causado pelas pandemias de influenza com altas taxas de mortalidade, afastamento do trabalho e perdas econômicas.

Para endereçar uma solução e conter os danos, pesquisadores começaram a desenvolver a vacina contra a gripe em 1930, após a identificação do vírus influenza, que provocou a gripe espanhola (1918- 1920). A primeira vacina antigripe foi aprovada nos anos 1940 no hemisfério norte e, no Brasil, onde a contaminação é alta apesar do clima tropical, as aplicações começaram nos anos 1980, inicialmente no setor privado, lembra Geraldo Barbosa, presidente da Associação Brasileira de Clínicas de Vacina (ABCVAC).

Hoje, estima-se que a vacina contra o vírus influenza, causador da gripe, reduza em até 45% a internação hospitalar por pneumonia e 75% de suas complicações.

Quando a imunização contra a gripe virou política pública, o objetivo era vacinar idosos e pacientes com doenças crônicas como as de imunodeficiência, que são as pessoas com organismo mais vulnerável.

Mas, como todo vírus que permanece em circulação – até hoje apenas a varíola foi 100% erradicada –, o da influenza também tem suas variantes. Em 2009 a variante H1N1 se mostrou mais agressiva e a partir daí a vacina entrou no Programa Nacional de Imunização (PNI). Hoje, a diretriz é que todas as pessoas se vacinem contra a gripe. No setor público, 80 milhões de vacinas são aplicadas.

Na esfera privada, empresas apostam na imunização dos seus colaboradores para garantir uma proteção expressiva da população interna da companhia e, assim, ter menos casos de adoecimento e afastamento do trabalho. A estratégia era adotada pela Hypera Pharma mesmo antes da pandemia.

Segundo Barbosa, o mercado corporativo movimenta 4 milhões de doses anualmente. E outros 3 milhões são aplicados no cliente pessoa física nas clínicas de vacinação.

Produção

Na vacinação privada, as doses são importadas dos laboratórios GFK, Abbot e Sanofi. O custo médio do imunizante e serviço de aplicação é de R$ 60 para as empresas, chegando a mais de R$ 100 para as pessoas físicas que buscam as clínicas.

Já as doses usadas no PNI são fabricadas no Brasil pelo Instituto Butantan. Com capacidade produtiva de 80 milhões de imunizantes por ano, ele direciona todas as doses para o setor público.

A fabricação em solo nacional foi possível a partir do acordo de transferência de tecnologia firmado entre o laboratório francês Sanofi-Pasteur e o brasileiro.  “Entre 1999 e 2012, o Sanofi, que desenvolveu a tecnologia da vacina, passou todo o protocolo da produção, indicando tudo o que precisa ser feito no âmbito da indústria, padrão de qualidade e tipo de insumo necessário”, detalha Rodrigo Araújo, virologista do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG. Hoje, a unidade instalada no Instituto Butantan garante ao Brasil autosuficiência na produção de doses de vacina contra a gripe usadas no PNI.

Tudo o que sabemos sobre:
gripe

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.