Leilão vende na Suíça pele atribuída ao abominável homem das neves

Esta estranha pele foi encontrada pelo explorador neozelandês Edmund Hillary em 1960

Efe

22 Junho 2011 | 09h46

 

GENEBRA - O abominável homem das neves está na Suíça, ou ao menos uma parte dele, já que uma estranha pele azul durante anos atribuída ao temível Yeti foi vendida nesta quarta-feira em Genebra por cerca de 12 mil euros.

 

A venda ocorreu no Hôtel des Ventes, em Genebra, em um leilão de objetos que inclui antiguidades, joias e quadros.

 

Quando parecia que a peça única seria entregue a um comprador disposto a pagar 11,3 mil euros, outra pessoa entre os cerca de 50 presentes elevou a oferta e arrematou a raridade, superando as expectativas da casa de leilões, que avaliou a pele em 2,5 mil euros.

 

A peça foi colocada pela primeira vez à venda em 1978 pela casa de leilões Christie's em Londres, quando foi adquirida por 3,5 mil euros - uma elevada soma à época - pelo pai de quem era seu proprietário até agora.

 

Esta estranha pele, a maior com estas características até agora conhecida no mundo, foi encontrada pelo explorador neozelandês Edmund Hillary em 1960 - o primeiro homem a completar a escalada ao cimo do Everest - em uma expedição ao Himalaia com o propósito de desvelar o mistério da existência do Yeti.

 

Ele não viu o animal, mas encontrou pegadas gigantes e restos de peles que apontavam para a existência desta criatura, só avistada pela tribo dos sherpas, que habita essas áreas mais orientais do Himalaia, povoadas de florestas nos quais supostamente se escondia.

 

Os cientistas que acompanharam Edmund em sua aventura concluíram, no entanto, que as peles pertenciam a um estranho urso azul gigante, que deveria ser o mesmo descrito pelos sherpas em suas lendas do Yeti, relatou à Agência Efe o responsável do Hôtel des Ventes, Bernard Piguet.

 

A peça leiloada, com 140 centímetros de comprimento e 70 centímetros de largura, apresenta um espesso pêlo marrom e não azul, por isso acredita-se que corresponde a um exemplar adolescente, "quando a pigmentação azul do Yeti ainda não é visivelmente clara".

 

"Dependendo de como bate a luz, é possível ver reflexos azuis", garantiu Piguet, convencido, da mesma forma que Edmund, de que a pele é uma prova a mais da existência do abominável homem das neves.

 

No entanto, os analistas do British Museum examinaram a peça e não compartilham desta mesma versão. Para eles, a pele provém de uma espécie de urso pardo pouco comum, o "Ursus arctos pruinosus", que seria a origem do mito do Yeti inventado pelos sherpas.

 

Outras teorias apontam para o Yeti como um símio gigante (macacos) parente distante do orangotango e descendente do Ramapithecus, que viveu na cordilheira do Himalaia há milhões de anos; embora para outros analistas, os símios só vivem em zonas tropicais onde podem encontrar frutas durante todo o ano.

 

Em 2008, um grupo de pesquisa japonês percorreu durante 42 dias a região de alta montanha Dhaulagiri IV do Himalaia, onde fotografaram pegadas de 45 centímetros, que atribuíram a esse macaco gigante, também conhecido como o "macaco dourado".

 

Apesar das dúvidas sobre a existência do Yeti, meio século depois do achado de Edmund, sua lenda continua viva perante a impossibilidade de determinar de maneira categórica se é um mito ou se realmente foi um animal gigante de aspecto tão aterrorizante como se conta.

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