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LHC volta a funcionar após pausa técnica de 10 semanas

Cientistas esperavam atingir velocidade máxima de colisão de partículas até o final do dia na segunda-feira

Reuters,

22 Fevereiro 2011 | 09h55

GENEBRA - O Grande Colisor de Hádrons (LHC, em sua sigla em inglês) está se preparando para retomar as colisões de partículas a volocidade total no próximo mês com o objetivo de solucionar mistérios fundamentais do universo, afirmaram cientistas e engenheiros da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern, em sua sigla em francês) na segunda-feira, 21.

 

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Eles relataram que a gigante máquina subterrânea está em perfeitas condições depois de permanecer desligada por 10 semanas e que os feixes de partículas, que estão circulando novamente desde o fim de semana, seriam impulsionados à velocidade total até o fim do dia.

 

"Tudo está indo muito bem de fato. O progresso está ocorrendo muito rapidamente desde que ligamos o LHC novamente na noite de sábado", disse Mike Lamont, chefe de operações da sala de controle do colisor.

 

O acelerador de partículas foi desligado no dia 6 de dezembro para avaliações técnicas de seus enormes aparatos depois de oito meses de operações.

 

"Esperamos acelerar para a velocidade máxima dos feixes nas próximas horas", disse Lamont, se referindo à maior energia já atingida até o momento pela máquina - 3,5 TeV (teraelétron-volts) - desde que entrou em operação em 31 de março do ano passado.

 

"Nossas equipes de analistas estão se preparando para trabalhar com os dados da 'nova física' que vai começar a aparecer uma vez que as colisões comecem em cerca de três semanas", disse Oliver Buchmueller, líder da equipe do detector CMS do LHC, um dos quatro maiores experimentos do acelerador.

 

Nova física. "Nova física", o lema do LHC, se refere ao conhecimento que precisará de pesquisas além do "modelo padrão" de como o universo funciona que emergiu com o trabalho de Albert Einstein e sua Teoria da Relatividade Especial em 1905.

 

"Estaremos concentrados esse ano na supersimetria, nas dimensões extra, em como buracos negros são produzidos e no bóson de Higgs. Esperamos ter alguns resultados iniciais até o verão", disse Buchmueller.

 

A supersimetria, apelidada de SUSY, é uma teoria que permite a existência de nunca vistas partículas elementares e, se provada correta, explicaria o mistério da matéria escura, que se acredita formar cerca de um quarto do universo.

 

Isso também ajudaria a provar o conceito da teoria das cordas que permite a existência de mais dimensões que as conhecidas quatro - altura, profundidade, largura e tempo - e a existência de universos paralelos.

 

Buracos negros são estrelas que explodiram, e podem ser observados em muitas galáxias no universo conhecido. Em torno deles a força da gravidade é tão forte que nada, nem mesmo a luz, pode escapar. Mas os cientistas querem saber mais sobre eles.

 

O Bóson de Higgs foi posto há mais de 30 anos como o agente que dá massa à matéria e tornou a formação do universo possível imediatamente após o Big Bang há 13,7 bilhões de anos. Mas a prova de sua existência nunca foi encontrada.

 

Os cientistas esperam encontrar respostas para todas essas perguntas nos dados vindos das experiências realizadas no Cern, com suas simulações do Big Bang de bilhões de colisões de alta energia.

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